Microfone aberto captou comentário de defensor de Les Wexner durante sessão transmitida em vídeo
Uma fala sussurrada acabou ganhando repercussão durante o depoimento do bilionário Les Wexner, ex-CEO da Victoria Secrets, no âmbito das investigações relacionadas a Jeffrey Epstein. O advogado do empresário, Michael Levy, foi captado por um microfone aberto ao fazer um comentário direcionado ao cliente enquanto a sessão era transmitida em vídeo.
O episódio ocorreu durante o depoimento prestado ao Comitê de Supervisão da Câmara. A gravação foi divulgada na íntegra pelo próprio comitê nesta quinta-feira (19).
A frase captada pelo microfone
No momento registrado, Levy orientava Wexner a ser mais direto ao responder perguntas sobre sua relação com Epstein. Em tom baixo, o defensor afirmou: “eu vou te matar se você responder a mais uma pergunta com mais de cinco palavras, entendeu?”, sussurrou o advogado no ouvido do cliente.
A declaração foi captada ao final de uma oitiva que já ultrapassava quatro horas e meia de duração.
O registro em vídeo mostra ainda o empresário, de 88 anos, rindo após ouvir o conselho para que fosse breve e preciso em suas respostas.
Questionamentos sobre a relação com Epstein
Durante o depoimento, Wexner foi indagado sobre a frequência com que Epstein lhe prestava serviços. Ao abordar o tema, começou a detalhar os diversos bens que precisavam ser inventariados — algo que, segundo afirmou, só percebeu ser relevante depois de contratar o financista Jeffrey.
A sessão também incluiu perguntas sobre uma carta de teor obsceno escrita por Wexner para uma coletânea organizada antes do aniversário de 50 anos de Epstein. O empresário declarou que estava “tentando ser engraçado”.
“Ele era solteiro, então desenhei um par de seios”, contou.
Declarações de Wexner
Em sua fala, o bilionário negou qualquer envolvimento com os crimes atribuídos a Epstein. Disse que não “testemunhou, tolerou ou acobertou” nenhum dos abusos e acusou o financista de ter desviado uma grande quantia de sua fortuna, administrada por ele ao longo de décadas. Les classificou Epstein como “golpista olímpico de renome mundial”.
“Rompi relações com Epstein de forma completa e irrevogável há quase 20 anos, quando descobri que ele era um abusador, um criminoso e um mentiroso. Nunca participei, nem fui cúmplice, de nenhuma das atividades ilegais de Epstein”, discursou.
Wexner afirmou ainda que esteve apenas uma vez na ilha caribenha associada a Epstein, acompanhado da esposa. Segundo relatou, a experiência foi “péssima”, descrevendo o local como “um monte de pedras”.
Sobre a possibilidade de ter estado simultaneamente com Epstein e Donald Trump, declarou não se recordar, embora tenha admitido que ambos possam ter se encontrado “coincidentemente” durante um desfile da Victoria’s Secret.
“Jeffrey Epstein o apresentou como um amigo”, disse Wexner, acrescentando que não tinha certeza sobre o nível de proximidade entre eles.
Comentários sobre o príncipe Andrew
Ao ser questionado sobre o ex-príncipe Andrew, o empresário afirmou que tiveram apenas “uma breve conversa telefônica, de apenas duas frases”, relacionada a negociações envolvendo aeronaves.
“Nunca conheci o Príncipe Andrew… Portanto, não sabia de nada”, declarou, referindo-se ao integrante da realeza envolvido em controvérsias e que foi detido por horas nesta quinta-feira (19) por autoridades britânicas, sob acusação de ter compartilhado segredos de Estado com Epstein.
Envolvimento citado nas investigações
O depoimento também abordou acusações feitas pelos deputados Ro Khanna (democrata da Califórnia) e Thomas Massie (republicano do Kentucky). Ambos haviam declarado que Wexner estaria entre seis homens ligados e possivelmente incriminados com Epstein, mencionando a presença do nome do bilionário em milhões de documentos de investigação divulgados pelo Departamento de Justiça no fim de janeiro.
Promotores federais chegaram a citar Wexner no início das apurações como alguém que poderia ter atuado em conjunto com Epstein após a prisão do financista, em julho de 2019. Entretanto, conforme um e-mail enviado por um agente do escritório do FBI em Nova York — documento que integra os arquivos do Departamento de Justiça — foram encontradas poucas evidências que apontassem participação efetiva do empresário.
Caso Jeffrey Epstein
Jeffrey Edward Epstein passou a ser investigado em 2005, após a mãe de uma adolescente de 14 anos acusá-lo de abuso. A apuração se ampliou e identificou outras 38 menores de idade.
Ele foi preso e, em 2019, voltou a ser condenado, desta vez por tráfico sexual de menores. Após a nova prisão, cometeu suicídio na cadeia.