Suspeita de manipulação interna nos EUA
O Wall Street Journal levanta dúvidas sobre a origem do erro e chega a questionar se houve “penetração estrangeira dentro do CBP”, sugerindo que alguém pode ter adulterado os dados do sistema americano.
“O Brasil penetrou na divisão de fronteira?”, pergunta o artigo, destacando que há indícios de interferência externa ou manipulação intencional no banco de dados do órgão.
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De acordo com o jornal, o CBP entregou documentos às autoridades norte-americanas e à Justiça, mas com trechos censurados, ocultando nomes de servidores, datas de acesso e registros de alteração. Para O’Grady, o caso “não parece ter sido um simples erro burocrático”.
“O público não saberá a verdade até descobrir quem entrou no sistema e criou o registro fraudulento”, conclui a colunista.
Como o registro foi usado no Brasil
O WSJ lembra que o registro falsificado de entrada nos EUA foi utilizado no Brasil como prova de tentativa de fuga, o que levou o ministro Alexandre de Moraes a decretar a prisão preventiva de Filipe Martins, sob a justificativa de que ele teria acompanhado Jair Bolsonaro na viagem a Orlando, em 30 de dezembro de 2022.
A defesa, porém, apresentou registros de localização, testemunhos e comprovantes de movimentação bancária que mostravam que Martins permaneceu em Brasília durante aquele período. Mesmo assim, o dado incorreto sustentou a decisão judicial por meses, até ser reconhecido como erro.
Jornal norte-americano acompanha o caso desde 2024
O Wall Street Journal tem acompanhado o caso de forma contínua desde julho de 2024, quando publicou o primeiro artigo de Mary O’Grady sobre o tema. Na ocasião, a colunista já havia apontado a inconsistência do registro de viagem e alertado para o uso político da informação pela Justiça brasileira.
Em um segundo texto, publicado em julho de 2025, O’Grady revelou que o registro falso havia sido removido do sistema do CBP, mas reapareceu meses depois, o que levantou suspeitas de interferência deliberada.
“Alguém trabalhando dentro do CBP, em nome de interesses políticos brasileiros opostos a Bolsonaro, teria uma motivação”, escreveu à época.
A advogada de Filipe Martins, Ana Bárbara Schaffert, acionou autoridades norte-americanas com base na Lei de Liberdade de Informação (FOIA) para obter detalhes sobre o caso, mas o WSJ relata que as respostas oficiais permanecem incompletas e censuradas.
O artigo termina com a mesma provocação que encerrou a reportagem anterior do jornal:
“O que é pior? O crime ou o encobrimento?”