Ex-ministro sugere autorreforma e cita pressão da opinião pública
O ex-ministro José Dirceu afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) deveria passar por mudanças estruturais “frente às evidências”. A declaração foi feita em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (5).
Segundo Dirceu, a Corte precisa considerar a percepção da sociedade. Ele citou pesquisas que indicariam alto índice de insatisfação com o tribunal.
“Quando uma pesquisa mostra que 70% das pessoas querem que o Supremo mude, a Corte tem que fazer uma autorreflexão. Desconhecer a opinião pública é um erro”, afirmou.
Proposta envolve autorreforma e novas regras
Para o ex-ministro, o ideal seria que o próprio STF conduzisse uma autorreforma, como já ocorreu em outros momentos.
“Não vai mostrar fraqueza”, disse. “Ele vai mostrar que está em sintonia com o sentimento do país.”
Entre os pontos sugeridos, Dirceu mencionou a possibilidade de criação de um código de ética para ministros, além de discutir temas como mandato ou limite de idade no cargo.
Ele também levantou questionamentos sobre possíveis restrições à atuação privada de ministros, como participação societária em empresas.
Debate não significa ataque à democracia, diz Dirceu
Dirceu afirmou que discutir mudanças no STF não representa oposição à democracia, mas sim um movimento legítimo por aprimoramento institucional.
“É preciso debater a adoção de um código de ética”, declarou. “Ministro precisa ter mandato ou limite de idade para ficar no STF? Quais são as restrições para ser sócio de uma empresa?”
Segundo ele, o tribunal não deveria evitar esse tipo de discussão e deve dialogar com a sociedade.
Caso Banco Master é minimizado
Ao ser questionado sobre o escândalo envolvendo o Banco Master, Dirceu evitou aprofundar o tema e defendeu cautela no debate público.
“Temos que ter frieza e serenidade para discutir uma reforma política e institucional no Brasil”, disse.
Ele também avaliou que uma eventual delação do empresário Daniel Vorcaro não deve atingir diretamente o governo federal.
Citações a figuras públicas e disputas políticas
Dirceu mencionou nomes como Guido Mantega e Ricardo Lewandowski, apontando que a relação deles com o Banco Master não implica, necessariamente, envolvimento em irregularidades.
Segundo ele, há tentativa de uso político do caso para atingir o governo.
Papel da opinião pública no cenário atual
O ex-ministro destacou ainda a mudança no impacto da opinião pública com o avanço das redes e da comunicação digital.
“A opinião pública mudou. Aquela de cinco milhões de pessoas já era. Hoje, se cair o teto aqui nessa entrevista, em cinco minutos, 60 milhões, 80, 100 milhões de pessoas ficam sabendo”, afirmou.
Para Dirceu, esse novo cenário exige maior diálogo entre instituições e sociedade.