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Brasil registra marco inédito: população que não lê supera a que lê

Pesquisa revela que 53% da população não leu nenhum livro em 2024; tendência também avança nos EUA e na Europa

Pela primeira vez desde o início da série histórica, o passou a registrar mais pessoas que não leem livros do que leitores. O dado aparece na edição de 2024 da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em novembro pelo Instituto Pró-Livro.

Segundo o levantamento, 53% dos brasileiros se declararam não-leitores, enquanto 47% afirmaram ter lido ao menos um livro. Em 2019, o quadro era oposto: 52% diziam ler livros, contra 48% que não tinham esse hábito. A mudança representa uma perda estimada de 6,7 milhões de leitores em apenas quatro anos.

A pesquisa foi conduzida pelo Instituto Ipec entre 30 de abril e 31 de julho de 2024, com 5.504 entrevistados em 208 municípios. Para o estudo, são considerados leitores aqueles que leram ao menos parte de um livro — impresso ou digital — nos três meses anteriores à entrevista, incluindo obras didáticas, religiosas ou literárias.

Escola deixa de ser espaço central da leitura

Um dos dados mais emblemáticos do levantamento é a perda de relevância da sala de aula como ambiente de leitura. Em 2007, 35% dos entrevistados apontavam a escola como local onde costumavam ler. Em 2024, esse percentual caiu para 19%, o menor nível já registrado.

Também cresceu de forma expressiva a percepção de dificuldades relacionadas ao ato de ler. A falta de paciência ou de foco saltou de 18% em 2007 para 40% em 2024. Além disso, 36% dos entrevistados relataram barreiras de habilidade, como problemas de concentração ou dificuldade de compreensão dos textos.

O prazer pela leitura também diminuiu. A parcela da população que afirma “gostar muito” de ler caiu de 31% em 2019 para 26% em 2024. No sentido oposto, os que dizem não gostar de ler passaram de 22% para 29%.

Estados Unidos registram queda acentuada

A retração do hábito de leitura não é exclusiva do Brasil. Nos Estados Unidos, um estudo conduzido pela Universidade da Flórida em parceria com o University College London mostrou que o número de pessoas que leem por prazer caiu mais de 40% nos últimos 20 anos.

A pesquisa analisou dados de mais de 236 mil americanos entre 2003 e 2023. Segundo o levantamento, a queda ocorre de forma contínua, com redução média anual próxima de 3%.

“É significativo e muito preocupante”, afirmou Jill Sonke, diretora do Centro de Artes em Medicina da Universidade da Flórida, ao comentar os resultados.

Europa também vê avanço do não-leitor

Na União Europeia, o fenômeno se repete. Uma pesquisa de 2024 do Eurostat revelou que quase metade dos cidadãos do bloco não leu sequer um livro ao longo de um ano.

Os dados mostram forte variação entre países. Irlanda, Finlândia, Suécia, França, Dinamarca e Luxemburgo aparecem entre os que mais leem, enquanto Itália, Chipre e figuram nas últimas posições do ranking.

O estudo também aponta diferenças etárias e de gênero. Jovens entre 16 e 29 anos mantêm índices de leitura mais elevados do que pessoas acima de 65 anos. As mulheres leem mais do que os homens, padrão que se repete tanto na quanto nos Estados Unidos.


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