Brasil transforma picanha, sebo e até pênis em potência global nas exportações de carne

Modelo de aproveitamento integral do boi sustenta liderança brasileira no comércio mundial

A máxima popular de que “do boi só se perde o berro” deixou de ser apenas expressão cultural no . Tornou-se prática consolidada dentro da cadeia pecuária nacional. O país estruturou um sistema em que praticamente cada parte do animal abatido encontra destino comercial, seja na alimentação, na indústria farmacêutica, na energia ou na agricultura.

Essa estratégia ampliou a presença brasileira no exterior. O Brasil atende desde consumidores europeus de alto padrão até países em desenvolvimento que buscam segurança alimentar. Também fornece matéria-prima para setores como energia renovável e moda, expandindo o alcance do produto bovino muito além dos cortes tradicionais.

Como cada parte do boi ganha valor no mercado internacional

A força do setor está na capacidade de direcionar cada item ao mercado que melhor paga por ele. O foco não se limita à picanha ou ao filé mignon. O aproveitamento integral tornou-se um diferencial competitivo e ambiental.

“Quando falamos em exportação, muita gente pensa apenas nos cortes nobres, mas o diferencial está no aproveitamento integral. Isso torna a cadeia mais competitiva e sustentável”, explicou Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).

Essa lógica garante que praticamente nada seja descartado. O resultado é maior receita por animal abatido e mais estabilidade diante das oscilações do comércio internacional.

Da culinária exótica à indústria de alta tecnologia

A diversificação impressiona e alcança mercados específicos ao redor do mundo.

Culinária exótica

Produtos pouco consumidos no Brasil têm forte demanda no exterior. Pênis bovino e bucho, por exemplo, são considerados iguarias em países da Ásia e da África. Em determinados casos, chegam a alcançar preços superiores aos de cortes tradicionais comercializados no mercado brasileiro.

Indústria farmacêutica

O boi também abastece segmentos de alta tecnologia. Entre os principais insumos estão a heparina, anticoagulante amplamente utilizado, e o colágeno. Esses produtos são destinados a mercados exigentes como e França.

Energia limpa

O sebo bovino, antes visto como resíduo, ganhou protagonismo na matriz energética europeia. Transformado em biodiesel, tornou-se alternativa de renovável, alinhada às políticas de redução de emissões.

Fertilizantes, ração e agricultura sustentável

Nem ossos nem sangue ficam sem utilização. Após o processamento, esses materiais são convertidos em farinhas ricas em nutrientes. O destino principal é a indústria de ração animal (pet food), com destaque para países da América Latina e para a Tailândia.

Os ossos também são transformados em fertilizantes orgânicos. Esses produtos abastecem práticas de agricultura sustentável no e em países europeus.

Para o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), essa integração completa da cadeia produtiva garante resiliência ao setor. Ao evitar desperdícios e maximizar o valor de cada subproduto, o Brasil mantém sua posição como o maior exportador de carne bovina do planeta, sustentando competitividade mesmo diante das variações globais de demanda.


Veja também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *