Assessor internacional do governo Lula critica ação de EUA e Israel, mas evita julgar regime iraniano
O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, classificou como “totalmente condenável” e “inaceitável” a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, durante ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel.
Em declaração ao jornal O Globo, Amorim afirmou:
“Acho que, obviamente, matar um líder de um país, à distância, é totalmente condenável, é inaceitável. Ninguém pode se arrogar em juízo do mundo.”
Sem avaliação sobre o regime
Apesar da crítica direta à ação militar, o assessor evitou comentar o caráter do regime iraniano. Segundo ele, essa análise cabe aos próprios cidadãos do país.
“Não estou entrando no mérito do governo iraniano, isso é outra questão, mas é para os iranianos julgarem e atuarem.”
Amorim também declarou que a morte de Khamenei não representa “uma ajuda à oposição iraniana”.
“(…) se você imaginar, um ataque direto, enfim, um assassinato de um líder de outro país. Certo ou errado o líder, isso não me interessa, eu acho que isso é altamente condenável.”
Nota oficial do governo brasileiro
O posicionamento de Amorim ocorre após o governo de Luiz Inácio Lula da Silva condenar oficialmente os ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.
Em comunicado divulgado pelo Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores afirmou:
“Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região.
O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil.”
A nota do Itamaraty foi publicada antes da confirmação oficial da morte de Khamenei.