Pablo Escobar Pablo Escobar

Colômbia produz hoje 22 vezes mais cocaína do que na era Pablo Escobar

País lidera o mercado global da droga décadas após a morte do narcotraficante mais famoso do mundo

Poucos personagens simbolizam tanto o narcotráfico internacional quanto Pablo Escobar, conhecido mundialmente como o “rei” da cocaína. À frente de um vasto império criminoso, ele ajudou a transformar a em um dos principais centros da droga no planeta. Ainda assim, os números atuais mostram que a produção colombiana de cocaína atingiu um patamar muito superior ao registrado na época em que o traficante estava vivo.

Quando Escobar morreu, em 1993, a Colômbia produzia cerca de 119 toneladas de cocaína por ano. Hoje, esse volume chega a 2,6 mil toneladas, um aumento de 22 vezes, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Com isso, o país passou a ocupar o topo do mercado mundial da droga.

Mudança no mapa global da cocaína

No último ano de vida de Escobar, a produção colombiana representava aproximadamente 15% da oferta global, estimada então em 770 toneladas pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Undoc). Naquele período, a liderança na fabricação era da Bolívia, que produzia cerca de 410 toneladas.

O cenário atual é completamente diferente. De acordo com os números mais recentes, a Colômbia responde por 72% de toda a cocaína consumida no mundo, consolidando-se como o principal fornecedor internacional.

O legado do Cartel de Medellín

Pablo Escobar foi o nome central do Cartel de Medellín, uma das organizações criminosas mais poderosas da história. O grupo recebeu esse nome por ter como base a cidade colombiana de Medellín. No auge de seu poder, Escobar exerceu influência tão grande que chegou a idealizar, construir e comandar, de forma extraoficial, a onde ficou detido após um acordo com o governo colombiano.

A fortuna acumulada com o permitiu extravagâncias incomuns. Entre elas, a construção de um zoológico particular, o Hacienda Nápoles Park. Após a morte do traficante, o local foi abandonado, dando origem a um problema ambiental inesperado.

Impacto ambiental deixado pelo narcotráfico

No antigo complexo de Escobar, havia originalmente três hipopótamos. Sem controle humano e fora de seu habitat natural, os animais se reproduziram de maneira desordenada. Atualmente, estima-se que existam cerca de 120 hipopótamos na região, vivendo sem predadores naturais, já que a espécie é originária da África e não da Colômbia.

O episódio se tornou um símbolo dos efeitos colaterais deixados pelo narcotráfico, indo além da violência e alcançando também o meio ambiente.

Pressão dos Estados Unidos e tensão diplomática

Segundo a ONU, a América do Norte consome cerca de 30% da cocaína produzida no mundo, sendo considerada pela Undoc o maior mercado consumidor do planeta. Diante disso, o presidente dos , Donald , prometeu intensificar o combate ao narcoterrorismo, inclusive com o uso de ações militares unilaterais.

Essa postura ficou evidente em 3 de janeiro, quando forças norte-americanas capturaram o ex-ditador Nicolás Maduro, na Venezuela. Trump autorizou a operação após acusar Maduro de envolvimento com narcoterrorismo. O venezuelano foi detido em Caracas e, em menos de duas horas, já estava sob custódia dos EUA.

Acusações e reação internacional

Maduro é acusado de comandar o Cartel de Los Soles, supostamente formado por integrantes da cúpula do governo venezuelano, incluindo ministros, generais e parlamentares. O grupo seria responsável por oferecer apoio logístico para que a cocaína produzida na Colômbia fosse distribuída internacionalmente.

No dia seguinte à prisão, Trump afirmou a jornalistas que uma invasão ao território colombiano “parecia uma boa ideia”. O presidente norte-americano também acusou Gustavo Petro, presidente da Colômbia, de gostar de produzir e vender cocaína aos Estados Unidos.

Apesar das declarações, os dois líderes concordaram, na sexta-feira (10), em realizar uma reunião no início de fevereiro, com o objetivo de alinhar ações conjuntas de combate ao narcotráfico no país.


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