Congresso Nacional se prepara para derrubar veto de Lula ao projeto da dosimetria Congresso Nacional se prepara para derrubar veto de Lula ao projeto da dosimetria

Congresso Nacional se prepara para derrubar veto de Lula ao projeto da dosimetria

Congresso Nacional se prepara para derrubar veto de Lula ao projeto da

O senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso Nacional, confirmou nesta quarta-feira (8) que exercerá sua prerrogativa constitucional para convocar sessão conjunta e submeter à votação o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei da dosimetria.

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“O meu desejo é o mais rápido possível nós façamos uma sessão do Congresso Nacional para deliberarmos um assunto relevantíssimo e que carece da deliberação do Congresso, que é o veto ao projeto de lei da dosimetria”, declarou Alcolumbre, ressaltando que “essa pauta e essa agenda cabem única e exclusivamente ao presidente do Senado”.

Impacto direto na situação jurídica do ex-presidente

A derrubada do veto presidencial teria consequências práticas imediatas para o ex-presidente (PL). O projeto, relatado pelo deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), representa uma versão mais restrita da defendida pela oposição, mas ainda assim significativa.

Caso o Congresso derrube o veto de Lula, a pena de seria drasticamente reduzida: de 27 anos e três meses para apenas dois anos e quatro meses de inelegibilidade.

Tensões políticas em múltiplas frentes

A decisão de Alcolumbre ocorre em meio a um complexo jogo político que envolve pelo menos duas questões sensíveis para o governo petista e para o próprio presidente do Senado.

Pressão pela CPMI do Master Bank

O primeiro ponto de tensão relaciona-se à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master. Por determinação regimental, o requerimento de instalação da comissão deve ser obrigatoriamente pautado por Alcolumbre.

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) afirmou que o presidente do Senado estaria tentando negociar uma troca: a análise do veto da dosimetria em contrapartida ao arquivamento do requerimento da CPMI. A situação ganhou contornos mais delicados após Alcolumbre aparecer entre os contatos encontrados no telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Master Bank.

Indicação para o STF gera atritos

A segunda frente de tensão envolve a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF). O anúncio da pauta do veto ocorreu logo após o governo enviar formalmente a mensagem de indicação ao Congresso.

Alcolumbre demonstrou preferência pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga no STF, criando resistência à escolha governamental. A situação se agravou quando Messias optou por se comunicar com o presidente do Senado por meio de nota pública, antes de buscar um encontro reservado.

Como resposta, Alcolumbre estabeleceu prazo de apenas 15 dias entre o anúncio e a sabatina, tempo que o governo considera insuficiente para o tradicional “beija-mão” – ritual político em que o indicado visita individualmente os gabinetes senatoriais em busca de apoio.

Demora estratégica na tramitação

A mensagem de indicação de Jorge Messias permanece parada na mesa da Presidência desde 1º de abril, aguardando despacho para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A demora não é casual: havia um entrave burocrático que mantinha o controle da pauta nas mãos do governo federal.

Embora Lula tenha anunciado a escolha de Messias há quatro meses, o envio formal da mensagem só ocorreu recentemente. Com isso, já se passaram seis meses desde que o ministro se aposentou, deixando uma cadeira vaga na Corte Suprema.

A estratégia de Alcolumbre de pautar o veto da dosimetria – tema caro aos interesses da oposição – surge como elemento de pressão sobre o governo em meio às negociações sobre a indicação ao STF e a possível instalação da CPMI do Master.


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