Escassez ameaça voos internacionais e agrava crise energética sob pressão dos EUA
A ditadura cubana alertou companhias aéreas internacionais que operam no país de que, a partir desta segunda-feira, 9 de fevereiro, ficará sem combustível de aviação. Segundo o regime, a medida ocorre devido ao cerco petrolífero imposto pelos Estados Unidos. A informação foi confirmada por duas fontes do setor à agência EFE.
Empresas aéreas dos Estados Unidos, Espanha, Panamá e México, principais operadoras de voos com destino à ilha, ainda não detalharam publicamente como irão reagir ao desabastecimento, o que pode gerar mudanças em rotas, frequências e horários de voos no curto prazo.
Crise energética já tem precedentes na ilha
Situações semelhantes foram registradas nos anos 1990, durante o chamado “período especial”, e em outras crises mais recentes. Em episódios anteriores, companhias aéreas optaram por adicionar paradas estratégicas em países próximos, como México ou República Dominicana, para viabilizar o reabastecimento.
Entre os voos mais afetados estão as rotas entre Cuba e cidades como Miami, Tampa e Fort Lauderdale (Estados Unidos), Madri (Espanha), Cidade do Panamá (Panamá), Cidade do México, Mérida e Cancún (México). A ilha também mantém conexões frequentes com Bogotá, Santo Domingo e Caracas.
Trump endurece sanções e pressiona fornecedores de petróleo
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu uma ordem em 29 de janeiro ameaçando tarifar países que continuem fornecendo petróleo a Cuba, alegando riscos à segurança nacional americana. A medida foi interpretada como um novo passo para isolar economicamente o regime cubano.
Essa ordem intensificou a crise energética, que já se agravava desde 3 de janeiro, quando, após a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, os EUA interromperam o envio de petróleo da Venezuela para Cuba — principal fornecedor da ilha nos últimos anos.
“Negociem antes que seja tarde demais”, declarou Trump.
O regime cubano afirmou estar aberto ao diálogo, embora negue haver qualquer negociação em curso.
Cuba depende de importações para manter energia mínima
A ditadura reconhece que o país produz apenas um terço da energia de que necessita, sendo o restante dependente de importações, principalmente da Venezuela — que representou cerca de 30% do total em 2025 — e também de México e Rússia, em proporções menores.
Diante da escassez, o governo anunciou um plano emergencial rigoroso, que inclui:
- Suspensão da venda de diesel ao público
- Redução no funcionamento de hospitais e repartições públicas
- Fechamento de hotéis e serviços turísticos
Crise multidimensional atinge economia e população
Com seis anos de recessão, inflação descontrolada, apagões diários, escassez de alimentos e migração em massa, Cuba enfrenta essa nova escalada de restrições dos Estados Unidos em um cenário de extrema vulnerabilidade interna. O impacto na aviação é apenas mais um reflexo do colapso energético em curso.