Rebeca Passler testou positivo para substância proibida após compartilhar colher com a mãe em tratamento contra câncer
O que parecia um episódio banal dentro de casa quase custou à biatleta italiana Rebeca Passler a chance de disputar os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, na Itália. Aos 24 anos, a atleta viu sua participação ficar ameaçada depois que um exame antidoping apontou a presença de Letrozol em seu organismo.
Passler mora com os pais e a irmã e estava em casa se recuperando da etapa da República Tcheca da Copa do Mundo de Biatlo, realizada no fim de janeiro, quando passou pelo controle antidoping exigido para credenciamento aos Jogos. Nesse período, convivia de perto com a mãe, Herlinde Kargruber, que trata um câncer de mama desde junho de 2025.
Substância proibida e risco de exclusão
O exame detectou Letrozol, medicamento listado como substância proibida pela agência global antidoping por poder mascarar o uso de anabolizantes. Com o resultado positivo, Passler foi inicialmente impedida de competir na Olimpíada em casa.
Segundo a atleta, no entanto, não houve qualquer intenção de dopagem. A explicação apresentada foi de contaminação acidental. A mãe utiliza medicamentos que contêm Letrozol como parte do tratamento contra o câncer. A substância teria sido transferida para o organismo da biatleta depois que as duas compartilharam a mesma colher ao comer Nutella.
Recurso e liberação provisória
Diante da suspensão, Passler entrou com recurso. Após a análise do caso, as autoridades esportivas decidiram conceder o benefício da dúvida e liberaram a italiana para disputar os Jogos. O entendimento foi de que os níveis de Letrozol encontrados na urina eram baixos para os padrões normalmente associados à dopagem.
A Federação Italiana de Esportes de Inverno (FISI) divulgou comunicado com a manifestação da atleta após a decisão favorável.
“Foram dias muito difíceis. Sempre acreditei na minha boa-fé. Agradeço a todos que me ajudaram, desde os advogados que acompanharam minha situação, à Federação Italiana de Esportes de Inverno, à minha família e aos meus amigos. Agora posso finalmente voltar a focar 100% no biatlo”, declarou Passler.
Caso ainda pode ter desdobramentos
Apesar da liberação, a Agência Mundial Antidoping ainda não se pronunciou oficialmente sobre o episódio. Existe a possibilidade de que a atleta sofra alguma punição após os Jogos Olímpicos, quando o processo estiver completamente concluído.
Estreia marcada e decisão técnica pendente
Com a autorização provisória, Passler está apta a estrear na próxima quarta-feira (18), no revezamento 4 x 6 quilômetros do biatlo. A modalidade já lhe rendeu o melhor resultado da carreira: o 11º lugar na etapa da França da Copa do Mundo de Biatlo de 2024.
Mesmo liberada, sua presença efetiva na prova ainda depende da decisão do comando técnico da seleção italiana.