Presidente do Banco Central afirma que apoio do governo federal garantiu segurança institucional
Em meio às discussões envolvendo o Banco Master, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, fez elogios públicos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Segundo ele, a forma como o governo federal conduziu o caso trouxe estabilidade ao trabalho de supervisão da autoridade monetária.
A declaração foi feita durante um evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo. Na ocasião, Galípolo afirmou que se sente amparado por enfrentar o processo com Lula na Presidência da República. “Eu agradeço a Deus de estar passando por um processo como esse tendo Lula como presidente”, afirmou.
Respaldo político e tranquilidade institucional
De acordo com Galípolo, o apoio do chefe do Executivo oferece “certeza e tranquilidade” para que o Banco Central exerça suas funções. O presidente da autarquia destacou ainda manifestações públicas de Lula em defesa da autonomia do Banco Central e da Polícia Federal nas investigações relacionadas ao sistema financeiro.
O economista ressaltou que essas declarações reforçam a independência técnica das instituições e contribuem para um ambiente de estabilidade em momentos de crise. Para ele, a postura do presidente da República garante que o trabalho de fiscalização e supervisão seja realizado sem interferências indevidas.
Autonomia celebrada teve sanção no governo Bolsonaro
Apesar dos agradecimentos dirigidos ao atual governo, a autonomia do Banco Central mencionada por Galípolo foi instituída durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. A lei que estabelece essa independência foi sancionada em fevereiro de 2021, após aprovação do Congresso Nacional.
A legislação teve como objetivo blindar o Banco Central de pressões político-partidárias. Com a mudança institucional, o presidente da autarquia deixou de ter status de ministro de Estado e passou a cumprir um mandato fixo de quatro anos, sem coincidência com o mandato do presidente da República.
Marco institucional e debate histórico
À época da sanção, o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, classificou a medida como um marco no desenvolvimento institucional do país. Segundo ele, a autonomia assegura que a diretoria do BC possa executar a política monetária e fiscalizar o sistema financeiro sem interferência direta do Palácio do Planalto.
O projeto que garantiu essa independência figurou entre as pautas prioritárias do governo Bolsonaro e encerrou um debate que se arrastava desde 1991 no Parlamento brasileiro, consolidando um novo modelo de atuação para a autoridade monetária.