Contrato envolve 850 cabines em navios de cruzeiro; valor final ainda pode aumentar
O governo federal desembolsou R$ 71,7 milhões para garantir 850 cabines em navios de cruzeiro utilizados como hospedagem durante a COP30, realizada em Belém (PA).
Desse total, 450 cabines — avaliadas em R$ 26,3 milhões — foram destinadas às delegações internacionais, em cumprimento ao acordo firmado com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC).
Além das unidades obrigatórias, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reservou outras 400 cabines, voltadas à delegação brasileira, pelo valor de R$ 45,4 milhões.
As informações são do site Poder360, que confirmou os números com a Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop30). A pasta ressaltou que o montante ainda é variável, já que a conferência se encerra apenas nesta sexta-feira (21).
Em nota, a Secop30 afirmou:
“O valor final da despesa executada ainda está em evolução diária, conforme necessidades efetivas de hospedagem e conforme os mecanismos contratuais de opção de venda provisória e definitiva.”
Por que navios viraram alternativa de hospedagem
A contratação foi formalizada em abril, quando o governo acionou a Embratur, responsável por selecionar a operadora Qualitours, que fechou o acordo com os navios MSC Seaview e Costa Diadema.
A remuneração à empresa não é imediata: o pagamento ocorrerá somente após o encerramento do evento, de acordo com o número de cabines que permanecerem sem ocupação. As embarcações seguem atracadas no Terminal Portuário de Outeiro até o fim da COP.
O uso de hospedagem flutuante fazia parte do planejamento inicial, já que Belém não possui quantidade suficiente de leitos para receber um evento desse porte. Desde o anúncio da cidade como sede, houve críticas ao aumento repentino de preços e à falta de infraestrutura adequada em hotéis.
Para comportar cerca de 60 mil participantes, a COP30 exigiria mais que dobrar a capacidade de hospedagem da capital paraense. O governo afirma que os navios foram a solução mais viável:
“O objetivo é garantir infraestrutura adequada para delegações internacionais, observadores, equipes técnicas e participantes da COP30, evitando sobrecarga da rede hoteleira local”, diz a nota oficial.
Estrutura dos navios usados como hotel
Os cruzeiros utilizados pela organização são embarcações de grande porte, com padrão de luxo e infraestrutura superior à encontrada em muitos hotéis tradicionais. Juntos, MSC Seaview e Costa Diadema totalizam 3,9 mil cabines e capacidade aproximada de 6 mil leitos.
Ambos partiram da Itália em 23 de outubro para atender ao evento.
O MSC Seaview, construído pela italiana Fincantieri, possui 20 decks, 74 metros de altura, 323 metros de comprimento e 150 mil toneladas.
Já o Costa Diadema conta com 19 decks, 61,4 metros de altura, 306 metros de comprimento e peso aproximado de 133 mil toneladas.
As duas embarcações incluem áreas de lazer, piscinas e cabines amplas, características associadas a cruzeiros de padrão elevado.