Posse de Rodrigo Mudrovitsch na presidência do tribunal reacende debate sobre atuação internacional
A chegada do jurista brasileiro Rodrigo Mudrovitsch à presidência da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), para o biênio 2026–2027, trouxe novamente ao centro do debate o papel do tribunal em processos que envolvem o Brasil. Entre eles está a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente preso e que busca a conversão da pena para prisão domiciliar em razão de seu estado de saúde.
Aliados do ex-presidente recorreram ao Sistema Interamericano de Direitos Humanos após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que levaram Bolsonaro a cumprir pena em regime fechado. A movimentação internacional ocorre em meio à repercussão política e jurídica do caso no país.
Caminho até um eventual julgamento internacional
Antes de qualquer análise pela Corte IDH, o pedido precisa passar pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Cabe à Comissão avaliar se a denúncia atende aos critérios de admissibilidade previstos no sistema interamericano.
Somente se a CIDH entender que o caso preenche esses requisitos e decidir encaminhá-lo à Corte é que haverá um julgamento internacional. Nesse cenário, o processo seria analisado pelo colegiado de juízes da Corte IDH, que, a partir de 2026, será presidido por Rodrigo Mudrovitsch.
Expectativa de atuação limitada
Especialistas ouvidos pela reportagem da Gazeta do Povo avaliam que a possibilidade de uma atuação direta e imediata da Corte Interamericana no caso de Bolsonaro é restrita neste momento. Eles ressaltam que o trâmite internacional é longo e depende de diversas etapas preliminares.
Além disso, os analistas destacam que o papel da Corte IDH é, em grande parte, de natureza consultiva. As decisões costumam resultar em recomendações aos Estados, que não têm execução automática e podem ou não ser cumpridas pelos países envolvidos, dependendo de fatores políticos e institucionais internos.
Terceiro brasileiro no comando da Corte
Com a posse de Mudrovitsch, o Brasil passa a ter, pela terceira vez, um representante na presidência da Corte Interamericana de Direitos Humanos. A presença de um brasileiro no comando do tribunal, contudo, não significa interferência direta em casos específicos, já que as decisões são colegiadas e seguem regras próprias de impedimento e imparcialidade.
Ainda assim, a nomeação amplia a visibilidade do tribunal no debate público nacional, especialmente em processos de grande repercussão política, como o que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro.