Declaração foi feita em evento com o MST ao criticar postura militar dos Estados Unidos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na última sexta-feira, 23, que as Forças Armadas brasileiras enfrentam limitações orçamentárias severas, a ponto de, em alguns momentos, não disporem sequer de recursos para treinamento básico. A declaração ocorreu durante um discurso dirigido a integrantes do MST, em Salvador, enquanto o petista comentava ações e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo Lula, ao contrário do discurso de exaltação do poder bélico feito por Trump, o Brasil vive uma realidade marcada por restrições financeiras nas áreas militares. “Tenho um Exército, uma Marinha, Aeronáutica que muitas vezes não têm dinheiro nem para comprar bala para treinar”, declarou.
Comparação com os EUA e crítica à lógica da força
Durante a fala, Lula mencionou que Trump costuma destacar publicamente a superioridade militar norte-americana, citando aviões, navios e armamentos de última geração. Para o presidente brasileiro, esse tipo de discurso contrasta com sua visão sobre o papel do Brasil no cenário internacional.
“Toda vez que o presidente Trump fala na televisão, ele fala: ‘Eu tenho o exército mais forte do mundo, tenho os melhores aviões do mundo, os navios mais fortes do mundo’. Ele agora falou em Davos: ‘Eu tenho armas que vocês nem sabem o poder’. Eu fico olhando e eu falo: ‘Eu não tenho nada’”, afirmou.
Na sequência, Lula reforçou que não pretende adotar uma postura de confronto armado com outras nações. “Eu não quero fazer guerra armada com os Estados Unidos. Não quero fazer guerra armada com a China. Não quero fazer guerra armada com a Rússia. Não quero nem com o Uruguai e com a Bolívia. Eu quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumento, com narrativas, mostrando que a democracia é imbatível”, disse.
Conselho da Paz e críticas ao multilateralismo
No mesmo discurso, Lula criticou a proposta de Trump de criar um Conselho da Paz, iniciativa que, segundo ele, representaria uma ameaça ao multilateralismo. Para o presidente brasileiro, a ideia enfraquece o papel da Organização das Nações Unidas.
“O presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU e que ele sozinho é o dono da ONU”, afirmou Lula ao público.
Convite de Trump e articulações diplomáticas
Trump convidou Lula e outros líderes globais para integrar o Conselho da Paz. O presidente brasileiro relatou que tem tratado do tema diretamente com chefes de Estado ao redor do mundo.
“Estou há uma semana telefonando para todos os países do mundo. Já falei com as figuras mais importantes”, declarou.
Nas últimas duas semanas, Lula manteve conversas com representantes de países como China, Rússia, Índia, Turquia, Panamá, Portugal, Espanha, México, Canadá e Colômbia. Segundo ele, os diálogos reforçam seu compromisso com uma ordem internacional baseada no diálogo, na cooperação e na ampliação da representatividade no Conselho de Segurança da ONU.As informações são da Revista Oeste.