Presidente Lula Discursa Na Festa De 46 Anos Do PT Presidente Lula Discursa Na Festa De 46 Anos Do PT

Lula declara fim do “paz e amor” e diz: “Nós já ganhamos essas eleições”

Presidente fala em “guerra política”, demonstra confiança excessiva e afirma que “nós já ganhamos essas eleições”

O presidente Luiz Inácio da Silva elevou o tom e deixou de lado qualquer postura conciliadora durante discurso neste sábado (7), no ato que marcou os 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), em Salvador, na . Às vésperas do início oficial do calendário eleitoral, Lula adotou uma retórica agressiva, classificou a disputa de outubro como uma “guerra política” e declarou que não existe mais o personagem do “Lulinha paz e amor”.

A fala marcou uma mudança clara de postura do presidente, que passou a incentivar um embate direto, hostil e permanente no debate público, sinalizando uma campanha baseada no confronto e na radicalização do discurso.

“Temos que ser mais desaforados”, diz Lula

Em tom exaltado, Lula afirmou que o PT precisa reagir com dureza aos adversários e abandonar qualquer moderação. Para o presidente, o confronto político deve ser travado sem freios, inclusive no campo pessoal e retórico.

“Nós vamos ter que preparar, porque essa eleição vai ser uma guerra política. […] Nós temos que escrachar cada mentira que eles contarem. Nós temos que desmontar e temos que provar e temos que ter coragem de debater. […] Nós temos que ser mais desaforados, porque eles são. E nós não podemos ficar sendo quietinhos. Não tem essa mais de Lulinha paz e amor”, declarou.

A fala foi recebida com aplausos por militantes, mas gerou críticas pelo tom extremista e pelo incentivo à escalada verbal em um ambiente político já polarizado.

Discurso de arrogância eleitoral

Lula também demonstrou excesso de confiança ao afirmar que, do ponto de vista de realizações de governo, a eleição já estaria decidida a favor do PT. Apesar de dizer que os apoiadores não devem “se iludir”, o presidente declarou abertamente que “não há como” perder o pleito.

“Se depender do que nós fizemos comparado a eles, nós já ganhamos essas eleições, mas não é isso que vai decidir. […] O que vai ganhar essas eleições é a nossa narrativa política”, afirmou.

A declaração reforçou críticas de que o presidente aposta mais no controle do discurso e da comunicação política do que em um debate institucional equilibrado.

Ataque às redes e incitação à militância digital

Durante o discurso, Lula incentivou correligionários a intensificarem a atuação nas redes sociais, ambiente que ele próprio classificou como tendo mais “mal do que bem”. Ainda assim, defendeu uma presença agressiva no espaço digital para defender o governo e atacar adversários.

Críticas ao próprio partido e contradições no discurso

Apesar do tom combativo, Lula também fez cobranças públicas ao PT, criticando disputas internas no e a condução da legenda em votações importantes. O presidente censurou o partido por ter apoiado a destinação de cerca de R$ 60 bilhões do orçamento deste ano para emendas parlamentares.

Segundo ele, ninguém dentro da sigla reclama do volume elevado de emendas, que para somam R$ 61 bilhões. Em um momento de contradição, Lula criticou o chamado orçamento secreto, apesar de reconhecer que o PT votou favoravelmente a mecanismos semelhantes.

“O orçamento secreto foi o sequestro do orçamento do Executivo para que deputados e senadores tivessem liberdade de usar a mesma quantidade de dinheiro que sobra para o governo federal. Pra mim isso não é normal. Acho grave que o PT votou favorável”, disse.

O presidente ainda afirmou que a política nacional “apodreceu” e descreveu o processo eleitoral como um mercado caro e distorcido.

“A política apodreceu. Vocês sabem quanto custa um cabo eleitoral. Vocês sabem quanto custa um vereador”, completou.

Alianças pragmáticas e foco eleitoral

Mesmo com o discurso ideológico duro, Lula defendeu alianças para além da esquerda, deixando claro o caráter pragmático da estratégia eleitoral. Segundo ele, acordos políticos são instrumentos “táticos” para manter o poder.

“Temos que tratar de fazer as alianças necessárias para a gente ganhar as eleições. Um acordo político é uma coisa tática para a gente poder governar esse país”, afirmou.

Lula também ressaltou a necessidade de ampliar a atuação do partido nas periferias e se aproximar do eleitorado evangélico, lembrando que parte desse público recebe benefícios do governo federal.

Evento reuniu cúpula petista e aliados

O ato contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro da Casa Civil Rui Costa, do governador da Bahia Jerônimo Rodrigues, do senador Jaques Wagner, do presidente do PT Edinho Silva, além do ex-ministro José Dirceu, parlamentares, governadores aliados, partidos como PSB e e movimentos sociais.

O discurso marcou um novo momento da retórica presidencial: menos conciliação, mais confronto — e um cenário político ainda mais tensionado rumo a 2026.


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