Presidente afirma que medidas de Washington ameaçam soberania do Brasil ao tentar blindar Bolsonaro com a Lei Magnitsky
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a se pronunciar sobre a recente condenação de Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em artigo assinado neste domingo, 14, no jornal norte-americano The New York Times, o chefe do Executivo disse ter “orgulho” da Corte e destacou que a decisão contra o ex-mandatário seguiu rigorosamente a Constituição de 1988.
A manifestação ocorre dias após Bolsonaro ter sido sentenciado a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na chamada trama golpista. Lula fez questão de enfatizar que o julgamento “não foi uma ‘caça às bruxas’”, mas o resultado de um processo conduzido dentro da legalidade. O petista lembrou ainda que as investigações revelaram planos de assassinato contra ele próprio, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
Relação com os Estados Unidos
O texto publicado no NYT também abordou a relação entre Brasília e Washington. Lula assegurou que mantém com Donald Trump, presidente norte-americano, um diálogo “aberto e franco”. Mas ressaltou que “a democracia e soberania do Brasil não estão na mesa de discussão”.
Segundo o brasileiro, a decisão da Casa Branca de elevar em 50% as tarifas sobre produtos nacionais, anunciada em agosto, não tem fundamento econômico. Ele classificou a medida como “não apenas equivocada, mas também ilógica”, afirmando que a motivação seria política e voltada a proteger Bolsonaro com base na Lei Magnitsky.
Para Lula, o aumento das tarifas ameaça não só o comércio entre os países, mas também a independência do Brasil. Apesar das críticas, o presidente reforçou que o governo está disposto a negociar acordos que tragam benefícios recíprocos. Citou, inclusive, discurso de Trump na ONU em 2017: “É assim que vejo a relação entre o Brasil e os Estados Unidos: duas grandes nações capazes de se respeitarem mutuamente e cooperarem para o bem de brasileiros e americanos.”
Críticas americanas a big techs e ao Pix
Outro ponto rebatido por Lula no artigo foram as acusações de que o Brasil persegue judicialmente grandes empresas de tecnologia e restringe plataformas digitais. O presidente negou qualquer favorecimento: “Essas alegações são falsas. Todas as plataformas digitais, sejam nacionais ou estrangeiras, estão sujeitas às mesmas leis no Brasil.”
Ele também defendeu o Pix, sistema de pagamentos criado durante a pandemia, destacando seu impacto social: segundo Lula, a ferramenta garantiu “a inclusão financeira de milhões de cidadãos e empresas”.