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Lula ironiza Trump e cita Lampião ao falar de provocações internacionais

Presidente usa analogia nordestina para comentar relação com líder dos EUA e defende multilateralismo

Durante uma agenda oficial no Instituto Butantan, em São Paulo, nesta segunda-feira, 9, o presidente Luiz Inácio da Silva recorreu ao humor e a referências culturais brasileiras para comentar sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald . Em tom descontraído, Lula destacou sua persistência pessoal e sugeriu que o norte-americano talvez evitasse provocações se conhecesse melhor o seu estilo.

Ao mencionar uma futura viagem aos Estados Unidos, o petista descreveu seu próprio perfil de maneira bem-humorada. “Quando eu viajar (para os Estados Unidos), eu sou muito teimoso e sou muito tinhoso”, disse. Em seguida, reforçou a analogia regional: “Se o Trump conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião em um presidente, ele não ficaria provocando a gente.”

Ainda no mesmo discurso, Lula manteve o tom jocoso ao afastar qualquer ideia de confronto direto. “Eu não sou doido; vai que eu brigo e ganho, o que vou fazer?”, afirmou, arrancando risos da plateia.

Multilateralismo como eixo da política externa

Além das brincadeiras, o presidente aproveitou a ocasião para sublinhar a linha adotada pelo governo brasileiro na política internacional. Segundo ele, o trabalha para fortalecer uma narrativa baseada no multilateralismo, rejeitando práticas unilaterais e a noção de que “o mais forte pode tudo contra o mais fraco”.

Essa visão, de acordo com Lula, orienta as negociações e o posicionamento do país em fóruns globais, especialmente em momentos de tensão diplomática ou comercial.

Histórico de encontros e tensões entre Lula e Trump

A relação entre Lula e Trump passou a chamar atenção internacional após encontros públicos, como o realizado durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 2025. Na ocasião, ambos demonstraram sintonia e trocaram gestos de cordialidade.

Antes disso, porém, o clima havia sido mais tenso. Trump, conhecido por sua proximidade política com Jair Bolsonaro, criticou o governo brasileiro em razão da postura adotada diante do ex-presidente, que à época era julgado por “tentativa de golpe de Estado”.

Nesse contexto, a anunciou a aplicação de uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, medida que impactou diretamente o comércio entre os dois países.

Reaproximação e negociações comerciais

Após esses episódios, os dois presidentes intensificaram o diálogo. Houve conversas telefônicas em outubro e, posteriormente, um encontro na Malásia, no qual o tema central foram as tarifas impostas aos produtos do Brasil.

Em dezembro, Lula pediu formalmente ao republicano a revisão dessas taxas. Já no fim de janeiro, uma nova conversa entre os dois selou o entendimento para a realização de uma visita oficial do presidente brasileiro a Washington, prevista para o mês de março.


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