Jantar fora da agenda oficial tratou do desgaste do Supremo após repercussão do caso Banco Master
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu um jantar reservado com ministros do Supremo Tribunal Federal na Granja do Torto, na véspera da abertura do Ano Judiciário, em 1º de fevereiro. O encontro não constou na agenda oficial do presidente e contou com a presença de ao menos três magistrados: Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes.
Durante a conversa, Lula demonstrou preocupação com o desgaste institucional enfrentado pelo Supremo. Segundo relatos, o principal foco do incômodo presidencial foi a repercussão negativa em torno da condução do caso Banco Master, que tem provocado questionamentos públicos sobre a atuação de integrantes da Corte.
Código de conduta ficou em segundo plano
No jantar, o presidente avaliou que não é o momento adequado para avançar no debate sobre a criação de um código de conduta para o STF. A proposta é defendida pelo presidente da Corte, Edson Fachin, mas encontra resistência entre parte dos ministros.
A iniciativa é considerada uma das principais bandeiras de Fachin à frente do tribunal. Na semana anterior ao encontro com Lula, ele anunciou a ministra Cármen Lúcia como relatora do projeto. Nos bastidores, a escolha foi interpretada como uma estratégia para blindar a proposta de contestações internas e controlar o ritmo das discussões.
Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes fazem parte do grupo de magistrados que se opõem à formalização de regras de conduta, o que tem dificultado o avanço da proposta dentro do tribunal.
Defesa das investigações do Banco Master
Ao tratar do tema que tem pressionado a imagem do Supremo, Lula voltou a defender a independência das investigações envolvendo supostas fraudes no Banco Master. O presidente destacou a atuação da Polícia Federal, do Banco Central do Brasil e do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski na condução do caso.
Segundo o presidente, os trabalhos dessas instituições reforçam que a apuração seguiu caminhos técnicos e sem interferências indevidas.
Assuntos delicados ficaram fora da mesa
Apesar de mencionar o ambiente de críticas ao Supremo, Lula evitou abordar diretamente dois temas sensíveis que têm gerado controvérsia pública. Um deles é o contrato entre o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, e entidades privadas. O outro envolve o resort Tayayá, pertencente à família do ministro Dias Toffoli, cuja participação teria sido adquirida por fundos associados ao Banco Master.
De forma indireta, Lula afirmou que figuras públicas precisam ter cautela diante do nível de escrutínio existente no atual cenário político, evitando entrar em detalhes sobre os casos específicos que envolvem membros do tribunal.
Silêncio oficial
Os ministros citados e a Presidência da República optaram por não comentar o encontro. A realização do jantar foi revelada inicialmente pela Folha de S.Paulo e posteriormente confirmada pelo O Globo.