Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos | Foto: Divulgação/White House Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos | Foto: Divulgação/White House

Moraes barra visita de assessor de Trump a Bolsonaro após pressão do Itamaraty

Ministro do STF reconsidera decisão após informações do Itamaraty sobre agenda do representante americano

O ministro Alexandre de Moraes, do Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (12) impedir a visita do assessor americano Darren Beattie ao ex-presidente Jair .

A decisão representa uma mudança de posição do ministro, que inicialmente havia autorizado o encontro. Na primeira determinação, Moraes permitiu que a reunião ocorresse no dia 18, dentro do horário regular de visitas da unidade prisional conhecida como Papudinha, em Brasília.

Pedido de alteração levou à revisão da decisão

Posteriormente, a defesa de Bolsonaro apresentou um pedido de reconsideração para modificar a data e o horário da visita.

Diante da solicitação, Moraes pediu esclarecimentos ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil, conhecido como Itamaraty, sobre a agenda oficial de Beattie no país.

Em resposta, o ministério informou que não havia qualquer compromisso diplomático previsto envolvendo uma visita ao ex-presidente.

Governo brasileiro apontou risco de interferência

Segundo o Itamaraty, o visto concedido ao assessor do Departamento de Estado dos foi solicitado para outras atividades oficiais.

Entre os compromissos informados estavam a participação em uma conferência sobre minerais estratégicos e reuniões com representantes do governo brasileiro.

O evento citado é o Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, previsto para ocorrer em São Paulo, na sede da Câmara Americana de Comércio para o Brasil.

O chanceler Mauro Vieira também avaliou que a visita ao ex-presidente poderia representar risco de “interferência” em assuntos internos do Brasil.

Visita não fazia parte da agenda oficial

De acordo com o Itamaraty, o pedido de encontro com Bolsonaro não estava incluído na justificativa diplomática da viagem apresentada pelas autoridades americanas.

O ministério afirmou ainda que a reunião não havia sido previamente comunicada às autoridades diplomáticas brasileiras.

Moraes citou possível ingerência externa

Ao reavaliar o caso, Alexandre de Moraes concluiu que o encontro não estava vinculado ao contexto diplomático que justificou a concessão do visto ao visitante.

Na decisão, o ministro argumentou que a visita de um representante de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República durante ano eleitoral poderia configurar “indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.

Com base nessas informações, Moraes decidiu reconsiderar o despacho anterior e negar definitivamente o pedido de visita.


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