Beto Simonetti, Presidente Da OAB Beto Simonetti, Presidente Da OAB

OAB leva ao STF ação contra lei de Santa Catarina que veta cotas raciais

Entidade afirma que norma viola a Constituição, a autonomia universitária e tratados internacionais

A Ordem dos Advogados do (OAB) ingressou no Tribunal Federal com uma ação contra a lei de que proíbe a adoção de cotas raciais em instituições de ensino superior públicas ou mantidas com recursos públicos no Estado.

A contestação tem como alvo a Lei Estadual nº 19.722/2026, que veta “qualquer forma de cota ou ação afirmativa”, incluindo reserva de vagas, bônus ou preferências, quando fundamentadas em critérios étnico-raciais.

Distinção considerada discriminatória

De acordo com a OAB, a legislação catarinense preserva políticas afirmativas destinadas a pessoas com deficiência, critérios socioeconômicos ou origem escolar, mas exclui de forma específica aquelas baseadas em raça. Para a entidade, essa diferenciação afronta o princípio da igualdade material e desconsidera a necessidade de enfrentamento do racismo estrutural no país.

A Ordem sustenta que a exclusão das ações afirmativas raciais cria um tratamento desigual injustificado e contraria a interpretação constitucional consolidada sobre políticas públicas de promoção da igualdade.

Autonomia universitária e pacto federativo

Outro ponto central da ação é a alegada violação à autonomia universitária. Segundo a OAB, ao proibir determinadas políticas de acesso, a lei interfere indevidamente na gestão acadêmica das instituições de ensino superior.

A entidade também argumenta que a norma fere a separação de Poderes e o pacto federativo, ao impor restrições que extrapolariam a competência legislativa estadual.

Além disso, a OAB aponta afronta à Convenção Interamericana contra o Racismo, incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro com status de emenda constitucional, o que reforçaria a tese de inconstitucionalidade da lei.

Pedido de suspensão imediata

A ação apresentada ao STF atende a uma solicitação da OAB Santa Catarina, que elaborou um parecer técnico apontando supostas inconstitucionalidades formais e materiais na legislação. O documento foi produzido pelas comissões de Igualdade Racial e de Direito Constitucional da seccional.

A Ordem requer a concessão de medida cautelar para suspender imediatamente a eficácia da lei e de seu decreto regulamentador. Segundo a petição, a aplicação da norma pode resultar em às instituições de ensino, como a anulação de processos seletivos e a suspensão de repasses de recursos públicos.

Posição institucional da OAB

Para o presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti, a iniciativa representa uma resposta institucional da entidade diante do que considera uma afronta direta à ordem constitucional.

“A OAB tem o dever de reagir sempre que normas afrontem a ordem constitucional”, afirmou Simonetti.


Veja também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *