Memorando determina revista, scanner corporal e confidencialidade absoluta no atendimento médico
O 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, passou a exigir sigilo rigoroso e protocolos de segurança reforçados para os profissionais de saúde escalados para atender o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está custodiado na unidade.
As regras constam do Memorando nº 01/2026, expedido na sexta-feira (23) pelo comandante em exercício, major Marlos Lourenço de Oliveira, e obtido pelo jornal Metrópoles. O documento foi divulgado nesta segunda-feira (26).
Revista, scanner e termo de confidencialidade
De acordo com o memorando, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais integrantes da equipe de saúde deverão se submeter a scanner corporal e revista pessoal, procedimentos que serão realizados por agentes do próprio batalhão.
Além disso, todos os profissionais terão de assinar um termo de responsabilidade, confidencialidade e sigilo, comprometendo-se formalmente a não divulgar qualquer informação médica ou dado sensível relacionado ao atendimento prestado ao ex-presidente.
O texto reforça que o objetivo é proteger informações pessoais e garantir a segurança institucional da unidade militar.
Restrições de objetos e segurança institucional
O comando da Papudinha também proibiu a entrada de armas de fogo e objetos perfurocortantes, como facas e soco inglês, exceto em situações de emergência devidamente justificadas. Itens considerados potencial ameaça à segurança do batalhão igualmente estão vetados.
As medidas fazem parte do protocolo especial adotado após a chegada do ex-presidente à unidade.
Decisão de Moraes determinou custódia e atendimento médico
A transferência de Bolsonaro para a Papudinha foi determinada em 15 de janeiro pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na decisão, o magistrado determinou que o ex-presidente tenha acesso contínuo a atendimento médico, condição que passou a orientar a organização da equipe de saúde e os protocolos de segurança no batalhão.
Carlos Bolsonaro criticou condições da custódia
Na semana passada, o ex-vereador Carlos Bolsonaro visitou o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, e classificou como “inacreditáveis” as condições enfrentadas por Bolsonaro e por outros custodiados.
Segundo ele, o ex-presidente divide espaço com presos considerados de alta periculosidade, como estupradores e sequestradores, assim como o ex-ministro Anderson Torres e o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques.
“É inacreditável ver o estado do ministro da Justiça Anderson Torres, de Silvinei Vasques e do meu pai”, escreveu Carlos Bolsonaro na rede social X. Para ele, a situação seria “humanamente impossível de aceitar como normal”.
Após a visita, Carlos seguiu para a Caminhada pela Justiça e Liberdade, mobilização liderada pelo deputado Nikolas Ferreira.