Memorando firmado por estado levanta dúvidas jurídicas e preocupa Planalto
A assinatura de um memorando entre o governo de Goiás e os Estados Unidos sobre minerais críticos e terras raras provocou reação no governo federal. O acordo, fechado na quinta-feira (18), passou a ser visto em Brasília como potencial fonte de conflito institucional e diplomático.
O entendimento foi firmado diretamente entre a gestão do governador Ronaldo Caiado (PSD-GO) e o Departamento de Estado norte-americano, sem participação do governo federal.
Planalto questiona constitucionalidade do acordo
Nos bastidores, integrantes do governo Lula avaliam que há dúvidas sobre a legalidade da iniciativa. Pela legislação brasileira e pela prática diplomática, acordos internacionais dessa natureza costumam ser conduzidos pela União, e não por governos estaduais.
A leitura é de que o movimento pode invadir competências exclusivas do governo federal, especialmente no que diz respeito à política externa.
Tema envolve recursos estratégicos para tecnologia e defesa
O foco do memorando são minerais críticos e terras raras, considerados insumos essenciais para setores estratégicos como produção de baterias, veículos elétricos e equipamentos de defesa.
Por essa razão, o assunto é tratado como sensível do ponto de vista geopolítico e econômico.
Iniciativa é vista como gesto político em ano eleitoral
Interlocutores do Planalto também interpretam o acordo como uma possível tentativa de politização do tema em meio ao cenário eleitoral.
Há preocupação de que a iniciativa possa sinalizar alinhamentos internacionais sem coordenação com a diplomacia brasileira, o que, na avaliação de técnicos, não cabe a entes federativos.
Governo avalia possíveis reações
Apesar do incômodo, o governo federal ainda não definiu qual será a resposta ao episódio. Estão em andamento análises que envolvem aspectos jurídicos e diplomáticos.
Entre as possibilidades consideradas está o questionamento formal do acordo, caso se confirme violação de competências da União.