Contas correntes fecharam 2025 no vermelho, com impacto de comércio, serviços e remessas de renda
As contas externas brasileiras encerraram 2025 com um déficit de US$ 68,8 bilhões, o mais elevado dos últimos 11 anos, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central do Brasil. O resultado só encontra precedente em 2014, quando o rombo chegou a US$ 110,5 bilhões.
Na comparação com 2024, o saldo negativo das transações correntes cresceu 4%. O indicador reúne balança comercial, serviços contratados por brasileiros no exterior e fluxos de renda, como juros, lucros e dividendos remetidos para fora do país — além de gastos com serviços digitais, a exemplo de streaming e softwares.
O que puxou o aumento do déficit
De acordo com o BC, três movimentos explicam o avanço do déficit externo em 2025:
- Queda de US$ 15,5 bilhões no saldo da balança comercial;
- Aumento de US$ 8 bilhões no déficit da renda primária;
- Redução de US$ 6 bilhões no déficit da conta de serviços, que ajudou a atenuar parcialmente o resultado final.
Mesmo assim, o desempenho combinado foi insuficiente para evitar o maior déficit em mais de uma década.
Comércio exterior perdeu fôlego
A balança comercial fechou 2025 com superávit de US$ 50,3 bilhões. As exportações somaram US$ 319,9 bilhões, queda de US$ 20 bilhões em relação ao ano anterior. Já as importações recuaram US$ 4,5 bilhões, totalizando US$ 269,5 bilhões no ano.
Apesar do saldo positivo, a redução expressiva das vendas externas contribuiu para o pior resultado das contas correntes.
Serviços e renda seguem pressionando
A conta de serviços registrou déficit de US$ 49,1 bilhões em 2025, refletindo gastos de brasileiros no exterior e contratação de serviços internacionais. Ainda assim, houve melhora frente a 2024, com redução do rombo em US$ 6 bilhões.
No consolidado, o déficit das transações correntes correspondeu a 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB), ligeiramente abaixo dos 3,03% registrados no ano anterior.
Entrada de capital estrangeiro compensou o rombo
O Investimento Direto no País (IDP) atingiu US$ 77,7 bilhões em 2025, o maior volume desde 2018, quando chegou a US$ 78,2 bilhões. O crescimento foi de 4,8% na comparação anual e representou 3,41% do PIB, ante 3,39% em 2024.
No detalhamento:
- Participação no capital: US$ 62,4 bilhões, queda de 3,5%;
- Reinvestimentos: recuo de 21,3%;
- Outras modalidades, excluídos lucros reinvestidos: alta de 14,2%.
As operações intercompanhia responderam por uma entrada líquida de US$ 15,3 bilhões, acima dos US$ 5,8 bilhões do ano anterior.
Mercado financeiro teve fluxo positivo
Os investimentos em carteira no mercado doméstico somaram ingressos líquidos de US$ 15,3 bilhões. O resultado decorreu de:
- Saídas líquidas de US$ 4,9 bilhões em ações e fundos;
- Entradas líquidas de US$ 20,2 bilhões em títulos de dívida.