Oposição pressiona por afastamento do ministro do STF no caso Banco Master
A movimentação da Polícia Federal (PF) para pedir a suspeição do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), provocou reação imediata de parlamentares da oposição nesta quarta-feira, 11. O caso envolve o inquérito sobre o Banco Master e referências ao magistrado encontradas no celular de Daniel Vorcaro, controlador da instituição.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, encaminhou o relatório ao presidente do STF, Edson Fachin. Em resposta, o gabinete de Toffoli declarou que “o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações”.
Pedido de impeachment
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmou que protocolará um novo pedido de impedimento contra o ministro.
“Já estamos redigindo o impeachment de Dias Toffoli para protocolar imediatamente”, escreveu nas redes sociais. “Impossível o país assistir a um absurdo desses sem que se tomem as devidas providências. Impeachment de Toffoli, já!”
No Senado, o relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE), apelidou o episódio de “Toffolão”, em alusão ao escândalo do Mensalão, e informou que a comissão deve votar requerimentos após o Carnaval.
“O Toffolão é um escândalo tão grande que não dá para esconder nas artimanhas do sistema”, afirmou.
Já estamos redigindo o impeachment de Dias Toffoli para protocolar imediatamente. Deu! Impossível o país assistir a um absurdo desses sem que se tomem as devidas providências. Impeachment de Toffoli, já! pic.twitter.com/oyWNDyzBFV
— Marcel van Hattem (@marcelvanhattem) February 12, 2026
Reuniões e cobranças públicas
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) declarou que integrantes do grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos se reuniram com Andrei Rodrigues e com Fachin. Segundo ela, ambos “demonstraram compromisso com a verdade e a transparência”.
“Hoje tivemos a oportunidade de conhecer detalhes que deram origem às operações policiais já deflagradas para investigar as denúncias de corrupção em torno do Banco Master”, escreveu. “Quem apostou na impunidade vai se dar muito mal.”
CREIO QUE GRANDES SURPRESAS NOS AGUARDAM!
— Damares Alves (@DamaresAlves) February 12, 2026
Estive hoje com o Diretor Geral da Polícia Federal e com o Presidente do STF, ao lado dos demais membros do Grupo de Trabalho do Banco Master da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Ambas autoridades desmostraram compromisso com a… pic.twitter.com/JOX07y0BDW
O deputado Kim Kataguiri (União-SP) também se manifestou, afirmando que “os agentes da PF estão arriscando suas carreiras e suas vidas” ao conduzir as investigações.
“Agora cabe à gente mobilizar a população para pressionar o sistema.”
“Nós precisamos voltar para as ruas e derrubar Dias Toffoli!”, declarou.
Para ele, o STF, o governo Lula e o Congresso “querem acabar com a investigação”, razão pela qual defende o impeachment do ministro.
Já o senador Carlos Portinho (PL-RJ) disse esperar que a iniciativa da PF estimule outros parlamentares a aderirem ao pedido de impedimento.
“O que fizeram com a mais alta Corte do país!? Vergonha.”
Arquivamento anterior pela PGR
Em janeiro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou três representações apresentadas por parlamentares da oposição que também solicitavam o afastamento de Toffoli da relatoria do caso Master.
Os deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline De Toni (PL-SC) haviam citado, entre os argumentos, a viagem do ministro a Lima, no Peru, na companhia do advogado de um dos investigados.
Gonet rejeitou as representações sem analisar o mérito.
“O caso a que se refere a representação já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República”, registrou. “Não há, portanto, qualquer providência a ser adotada no momento.”