Jornalista da CNN expressa preocupação com decisões diplomáticas de Lula, em programa de Willian Waack
O jornalista da CNN Lourival Sant’Anna expressou preocupação com decisões diplomáticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante sua participação no programa Análise WW, comandado por Willian Waack, nesta quarta-feira (20). Sant’Anna apontou que algumas escolhas do presidente são guiadas por ideologia, em detrimento dos interesses estratégicos do Brasil.
Parcerias Tecnológicas Questionadas
Uma das críticas foi direcionada à parceria firmada entre a Telebras e a empresa chinesa SpaceSail, concorrente da Starlink, de Elon Musk. Sant’Anna apontou que a escolha pode ser uma tentativa de contrapor Musk, mas avalia que a SpaceSail não possui a mesma capacidade tecnológica.
“É um pouco preocupante a qualidade dessas parcerias, a começar pela SpaceSail, que, de fato, não substitui a Starlink, nem faz sombra a ela, para usar a metáfora do satélite”, afirmou o analista.
Posições de Lula no Cenário Internacional
Lourival Sant’Anna criticou declarações de Lula que colocam o Brasil e a China em alinhamento no campo diplomático. Segundo o jornalista, o discurso do presidente brasileiro desconsidera as práticas internacionais adotadas pela China, como as ameaças a Taiwan e o apoio à Rússia, que invadiu a Ucrânia.
Mais preocupantes ainda são as posições do presidente Lula no campo da ordem internacional. Olha o que ele diz: “Em um mundo de conflitos armados e tensões geopolíticas, China e Brasil antepõem a paz, a diplomacia e o diálogo”. Como assim, a China antepõe a paz, a diplomacia e o diálogo? É injusto para o Brasil ser colocado, pelo seu próprio presidente, do lado de um bule, de um país que ameaça invadir Taiwan, que apoia a Rússia, que invadiu a Ucrânia, que apoia o Irã, que por sua vez patrocina o Hamas, o Hezbollah, os Houthis, que faz uma navegação agressiva e também sobrevoos agressivos, que ameaça as Filipinas, que ameaça o Japão, contesta a soberania desses países que eu citei.
Ele destacou ações chinesas que contrariam o discurso de Lula, como o apoio a regimes autoritários, navegações e sobrevoos agressivos e a contestação da soberania de países como as Filipinas e o Japão.
Xi Jinping e a Ucrânia: Críticas à Narrativa de Complexidade
Sant’Anna também rebateu a visão do presidente chinês, Xi Jinping, sobre a guerra na Ucrânia, amplamente compartilhada por Lula. Xi afirmou que a crise não possui uma solução simples, uma narrativa que, segundo o analista, serve para justificar as ações da Rússia.
Depois, vem o Xi Jinping e diz que crise da Ucrânia “não existe uma solução simples para um assunto tão complexo”. Qual é a complexidade da questão de Ucrânia? Isso é uma forma de justificar a invasão, porque se a Rússia se retirar dos territórios que ela invadiu ilegalmente, o problema deixa de existir. A Rússia não está ameaçada. Então, o que está por trás dessa visão do Xi Jinping, e que é a do Lula também, é a de que, de alguma forma, a Ucrânia tem culpa, ou o ocidente, por ter sido ela invadida.
O analista concluiu que essa postura indica uma visão que responsabiliza, em parte, a Ucrânia ou o Ocidente pela invasão, alinhando Lula e Xi nesse contexto.