“Senti muita disposição dos americanos para conversar e avançar em temas de interesse comum”, afirmou o chanceler em coletiva de imprensa, sem detalhar medidas específicas.
Conversa preparatória para encontro entre Lula e Trump
O ministro confirmou que o encontro teve caráter preliminar e sinaliza a reaproximação política entre os dois países, depois de semanas de tensão comercial e diplomática. Segundo Vieira, o diálogo abriu a possibilidade de uma futura reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, ainda sem data marcada.
“A reunião serviu para destravar questões e preparar o ambiente para um diálogo direto entre os presidentes”, afirmou o chanceler.
Fontes diplomáticas informaram que o tema das tarifas não foi superado, mas ambos os lados concordaram em manter um canal técnico permanente de negociação.
Duas reuniões e clima “de descontração”
No total, ocorreram duas reuniões entre Vieira e Rubio em Washington. A primeira, mais breve, durou cerca de 15 minutos e serviu como uma introdução. A segunda, com duração aproximada de 50 minutos, contou com a presença de assessores das duas delegações e debateu temas comerciais e geopolíticos.
Vieira descreveu o ambiente como “cordial e descontraído”, apesar das divergências recentes, e destacou o tom de respeito entre as equipes diplomáticas.
“Foi um ambiente de descontração, com espaço para tratarmos de pontos sensíveis com tranquilidade e espírito construtivo”, afirmou.
Pedido de fim da “opressão judicial” e temas discutidos
Segundo relatos de diplomatas brasileiros, durante a conversa Rubio manifestou preocupação com denúncias de perseguição judicial e censura no Brasil, referindo-se a decisões do Supremo Tribunal Federal e às investigações conduzidas por Alexandre de Moraes. O norte-americano teria defendido o “fim da opressão judicial” e reforçado o compromisso dos EUA com a liberdade de expressão e o Estado de Direito.
Além do impasse comercial, a reunião abordou questões regionais, como a crise política na Venezuela e no Haiti, a relação com a China, a guerra na Ucrânia e os avanços do Brics, bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Próximos passos diplomáticos
A visita de Mauro Vieira aos Estados Unidos ocorre poucos dias após o telefonema entre Lula e Trump, o primeiro desde o agravamento das tensões econômicas. O gesto foi interpretado como um sinal de distensão nas relações bilaterais.
Ainda não há confirmação oficial sobre data ou local do possível encontro entre os presidentes, mas o Itamaraty considera que a conversa entre Vieira e Rubio abriu espaço político para essa reunião.