Uso de aeronaves privadas levanta questionamentos sobre custos e origem dos pagamentos
Um levantamento do jornal O Estado de S. Paulo revelou que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci, utilizaram aeronaves privadas em ao menos oito viagens entre Brasília e São Paulo. Os voos estavam ligados ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e podem ter custado mais de R$ 1 milhão, segundo estimativas de mercado.
Aeronaves de empresas ligadas a Vorcaro foram usadas na maioria dos trajetos
De acordo com a apuração, sete das viagens foram realizadas em jatos da Prime Aviation, empresa associada a Vorcaro. O oitavo deslocamento ocorreu em uma aeronave da FSW SPE, vinculada a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro.
Os custos foram calculados por um analista especializado em fretamento aéreo, com base nos valores médios praticados no mercado para esse tipo de operação.
Valores por aeronave mostram padrão de alto custo
Os modelos utilizados pelo casal incluem diferentes categorias de jatos executivos, todos com valores elevados por trajeto:
- Phenom 300 (até 10 passageiros): entre R$ 106 mil e R$ 136 mil por voo
- Phenom 100 (até 7 passageiros): cerca de R$ 77,4 mil por viagem
- Legacy 650 (até 14 passageiros): aproximadamente R$ 290 mil por trecho
Além desses, Moraes e sua esposa também utilizaram um Falcon 2000, pertencente à FSW.
Uso de aeronave sem autorização levanta alerta
Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil, o modelo Falcon 2000 não possui autorização para operar como táxi aéreo. Isso impede a cotação oficial do serviço.
Para estimar o custo desse voo, o analista utilizou como base o modelo Hawker 850XP, com valor médio de R$ 157,6 mil para o mesmo trajeto.
A utilização de uma aeronave sem essa autorização levanta questionamentos adicionais sobre a natureza e a regularidade da operação.
Pagamento foi feito com base em contrato milionário
O escritório de Viviane Barci informou que os voos foram pagos por meio de compensação de honorários advocatícios, conforme previsto em contrato.
Na época, a banca mantinha um acordo com o Banco Master no valor de R$ 129 milhões — montante considerado muito acima dos padrões de mercado para serviços jurídicos.
Silêncio dos envolvidos
Procurados para comentar os custos e detalhes das viagens, nem Alexandre de Moraes nem Viviane Barci se manifestaram.
A defesa de Daniel Vorcaro optou por não comentar o caso, enquanto Fabiano Zettel não respondeu aos questionamentos.