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Governadora esquerdista de Nova York pede retorno de milionários após queda na arrecadação

Declaração de Kathy Hochul expõe impacto da saída de contribuintes ricos e pressão sobre contas públicas

A governadora do estado de Nova York, Kathy Hochul, fez um apelo incomum nas últimas semanas: quer que moradores ricos que deixaram o estado retornem para ajudar a recompor a arrecadação. A declaração ocorre em meio a um cenário de forte pressão fiscal.

Durante um fórum promovido pela revista Politico, Hochul afirmou que precisa recuperar a base tributária perdida. “Preciso que os ricos sustentem nosso generoso sistema de programas sociais, então estou pedindo aos milionários democratas que vão para Palm Beach (na Flórida) que tragam pessoas de volta para Nova York, porque nossa base tributária foi corroída. Filosoficamente, não tenho problema em aumentar impostos, mas estou competindo com estados onde a carga tributária é menor“, disse.

Mudança de discurso após incentivo à saída

A fala contrasta com a postura adotada por Hochul em 2022, quando ainda era candidata ao governo. Na ocasião, ela incentivou eleitores republicanos a deixarem o estado.

“Peguem um ônibus e vão para a Flórida, aquele é o lugar certo para vocês. Vocês não representam nossos valores, vocês não são verdadeiros nova-iorquinos”, declarou em um comício.

Após vencer a eleição, parte da população — especialmente de alta renda — passou a migrar para estados com menor carga tributária, como Flórida e Texas.

Êxodo de alta renda afeta receitas

Desde então, cerca de 125 mil moradores de alta e altíssima renda deixaram Nova York rumo à Flórida. Juntos, eles levaram aproximadamente US$ 14 bilhões em receitas tributárias.

Apesar de representarem menos de 1% dos contribuintes, os mais ricos são responsáveis por cerca de 41% do imposto de renda arrecadado pelo estado — fator que amplia o impacto da migração.

Dados da Comissão Orçamentária Cidadã apontam que, entre 2018 e 2022, a cidade de Nova York perdeu 102 mil residentes e US$ 13,7 bilhões em renda líquida para a Flórida.

Pressão fiscal e aumento de gastos

O controlador estadual Thomas P. DiNapoli alertou, em relatório divulgado em fevereiro de 2026, que os seguem em trajetória de crescimento acima da inflação e das receitas projetadas.

A situação fiscal se agrava diante de despesas elevadas, especialmente na cidade de Nova York. O orçamento municipal chega a US$ 116 bilhões para uma população de 8,3 milhões de habitantes.

Comparação com outros estados

O contraste com a Flórida chama atenção: o estado, com 24,3 milhões de habitantes, tem orçamento semelhante, de US$ 117 bilhões.

Além disso, Nova York mantém gastos significativamente maiores em áreas como educação. Em 2026, o investimento por aluno deve ultrapassar US$ 42 mil, enquanto na Flórida gira em torno de US$ 9.100, sem grandes diferenças nos resultados educacionais.

Custos adicionais e pressão social

Outro fator que pesa nas contas públicas é a chegada de imigrantes ilegais. Uma legislação local garante o chamado “direito à moradia”, obrigando o poder público a oferecer abrigo.

Com a superlotação dos abrigos, a prefeitura passou a alugar hotéis, gerando custos estimados em US$ 10 bilhões ao longo de quatro anos.

Migração também atinge classe média

A saída de moradores não se limita aos mais ricos. A classe média também tem deixado Nova York, principalmente devido ao alto custo de vida, incluindo moradia e cuidados infantis.

Atualmente, o estado possui a maior carga tributária combinada dos Estados Unidos. Contribuintes com renda superior a US$ 1 milhão enfrentam alíquota estadual de 10,9%, além de impostos municipais na cidade de Nova York.

Tendência nacional de deslocamento populacional

O fenômeno não é exclusivo de Nova York. A Califórnia também registra queda populacional desde 2020 — algo inédito em sua história.

Entre 2020 e 2022, Nova York perdeu cerca de 500 mil habitantes. Já a Califórnia caiu para menos de 39 milhões de moradores.

Na direção oposta, estados governados por republicanos apresentam crescimento acelerado. O Texas adiciona mais de 400 mil pessoas por ano, enquanto a Flórida cresce cerca de 300 mil habitantes anualmente.

Desafio para reverter a tendência

Diante desse cenário, especialistas avaliam que será difícil reverter o fluxo migratório apenas com apelos políticos. A diferença na carga tributária e no custo de vida segue sendo um dos principais fatores de decisão para quem deixa o estado.


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