Bastidores do Planalto apontam primeira-dama como articuladora da presença presidencial
Interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a responsabilizar a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, pelo desgaste político provocado pelo desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, relatos indicam que a participação do presidente na avenida teria ocorrido após insistência direta da primeira-dama.
Pressão para viabilizar o desfile
De acordo com informações reservadas, Janja teria pressionado pela presença de Lula no evento como forma de concretizar um objetivo pessoal. Um ministro ouvido sob reserva afirmou que a mobilização partiu dela, que também teria atuado na articulação e organização da ida do presidente à Sapucaí.
A escola levou para a avenida um enredo em homenagem a Lula, o que ampliou a visibilidade política do episódio.
Repercussão negativa e pesquisas internas
A avaliação crítica dentro do governo ganhou força após pesquisas qualitativas apontarem aumento de rejeição ao caso, especialmente entre eleitores de perfil conservador.
Trechos do desfile que ironizaram valores associados à família brasileira desencadearam reações da oposição nas redes sociais e no debate político. Integrantes do governo admitem que o episódio ampliou a exposição do presidente em um ambiente considerado sensível.
Resultado na apuração reforça leitura de erro
O impacto político foi potencializado pelo desempenho da escola na apuração. A Acadêmicos de Niterói terminou rebaixada no Grupo Especial, o que, segundo aliados, reforçou a percepção interna de erro estratégico.
Há também preocupação entre integrantes do governo com narrativas que associam o desfile a questionamentos eleitorais e ao uso político de eventos culturais — discurso que vem sendo explorado por adversários.
Estratégia de contenção de danos
Diante da repercussão, parte do entorno presidencial passou a deslocar a responsabilidade política do episódio para a decisão de exposição atribuída à primeira-dama.
Nos bastidores, a movimentação é vista como tentativa de contenção de danos em meio ao impacto do Carnaval no cenário eleitoral e à ampliação do debate público sobre a participação do presidente no evento.