Com aumento de 18,86% no combustível, categoria pressiona governo e pode parar ainda nesta semana
O avanço recente no preço do diesel reacendeu a mobilização de caminhoneiros em todo o país. Representantes da categoria discutem uma paralisação nacional que pode começar ainda nesta semana, diante do impacto direto dos custos sobre o transporte de cargas.
Desde o fim de fevereiro, o combustível acumula alta próxima de 19%. O movimento ocorre em meio a tensões internacionais envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que têm pressionado o mercado global de petróleo e contribuído para o encarecimento.
Entidades ampliam apoio e organizam movimento
A articulação, que inicialmente acontecia de forma isolada entre grupos de motoristas, ganhou força com o apoio de entidades nacionais. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) declarou adesão à mobilização e cobrou do governo federal medidas para conter o que classifica como aumento abusivo.
Entre os principais nomes envolvidos estão a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e o Sindicato dos Caminhoneiros de Santos. Wallace Landim, líder da Abrava, afirmou que uma assembleia com representantes de diversos Estados aprovou a paralisação, embora ainda não haja uma data definida para início.
Greve pode ocorrer sem bloqueios de rodovias
A estratégia indicada pelas lideranças é que os caminhoneiros suspendam as atividades sem realizar bloqueios em estradas, evitando possíveis sanções. Segundo Landim, o cenário atual reflete dificuldades semelhantes às enfrentadas pela categoria em 2018.
“É uma luta pela sobrevivência”, disse Wallace Landim, líder da Abrava, à agência Reuters nesta terça-feira, 17.
Ele também destacou que, diferentemente de movimentos anteriores desde 2018 — que, segundo ele, tiveram motivações políticas —, a atual mobilização decorre do impacto econômico direto sobre os trabalhadores. Ainda assim, não há confirmação sobre o nível de adesão nem definição oficial de datas.
Histórico de paralisações aumenta preocupação
A possibilidade de uma nova greve traz à memória a paralisação nacional de 2018, quando bloqueios em rodovias interromperam o abastecimento e afetaram diversos setores por cerca de dez dias.
Com a recente disparada do diesel, os chamados por uma nova mobilização voltaram a crescer, elevando o alerta entre autoridades e agentes econômicos.
Reivindicações incluem frete e atuação da Petrobras
Entre as principais demandas da categoria estão o cumprimento do piso mínimo do frete, a aplicação de punições a empresas que descumprem a regra e maior atuação da Petrobras na regulação dos preços dos combustíveis.
Governo tenta conter crise e evitar paralisação
Diante do risco de greve, o governo federal acompanha a situação de perto. Para reduzir o impacto da alta internacional do petróleo, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na semana passada, a eliminação de impostos sobre o diesel.
Além disso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis iniciou uma operação para fiscalizar e coibir preços abusivos em postos de combustíveis.
Apesar dessas medidas, a Petrobras anunciou um reajuste de 11,6% no preço do diesel nas refinarias, o que mantém a pressão sobre os caminhoneiros. Ainda não há garantia de que as ações adotadas serão suficientes para evitar a paralisação.
Mercado reage ao risco de interrupção no transporte
O cenário já gera reflexos no mercado financeiro, especialmente nas taxas de juros futuros, que passaram a reagir à possibilidade de interrupção no transporte de cargas.
“Os caminhoneiros estão no limite”, afirmou Carlos Alberto, diretor da CNTTL, em nota à Reuters.