Programa municipal quer acelerar a transição de beneficiários para o emprego formal e reduzir a permanência em transferências assistenciais
A Prefeitura de Criciúma, no sul de Santa Catarina, colocou em prática uma iniciativa voltada a moradores atendidos pelo Bolsa Família que buscam ingresso no mercado formal de trabalho. A proposta foi criada para apoiar famílias durante a mudança do benefício assistencial para um emprego com carteira assinada.
Batizado de Programa de Renda e Oportunidade Municipal para Ocupação, Valorização e Emprego (Promove), o projeto foi sancionado em fevereiro de 2026. A medida estabelece o pagamento de um auxílio financeiro para dar suporte à chamada transição assistencial de famílias vinculadas ao programa social federal rumo ao trabalho formal.
Meta é encurtar dependência de programas assistenciais
Segundo a lei publicada no Diário Oficial do Município, a finalidade do programa é diminuir o tempo de permanência dos beneficiários em políticas de transferência de renda de caráter assistencial. Ao mesmo tempo, a administração municipal quer estimular a entrada dessas pessoas no mercado de trabalho formal.
Quem poderá participar do Promove
O atendimento será limitado a até 1 mil famílias, desde que todas cumpram, ao mesmo tempo, os critérios definidos pela prefeitura.
Requisitos exigidos
As famílias interessadas deverão:
- estar regularmente inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico);
- ser beneficiárias plenas do Programa Bolsa Família e passar a constar na regra de transição assistencial sob a aplicação da regra de proteção prevista na legislação federal, a partir deste programa municipal;
- comprovar participação ou inscrição em programas de qualificação profissional, intermediação de mão de obra ou políticas públicas de inclusão produtiva reconhecidas pelo município;
- residir em Criciúma, com comprovação por meio de documentos hábeis.
Benefício será pago por até seis meses
O auxílio municipal foi fixado em R$ 300. Pela regra do programa, esse valor poderá ser pago por um período de até seis meses, após o encerramento do programa, mesmo que o beneficiário já tenha conseguido vínculo formal de emprego em uma empresa.
Prefeito diz que modelo atual pode desestimular busca por vaga formal
Ao defender a criação do Promove, o prefeito Vagner Espindola Rodrigues afirmou que o funcionamento do sistema muitas vezes afasta beneficiários da procura por trabalho registrado.
“Do jeito que o sistema funciona, muitas vezes ele desestimula a busca por emprego. Começou a trabalhar registrado, o benefício muda, diminui, pode acabar. Isso faz com que muitas pessoas optem por permanecer ou retornar ao Bolsa Família, ao invés de buscar autonomia”, afirmou o prefeito da cidade, Vagner Espindola Rodrigues.
Na sequência, ele definiu o novo programa como um mecanismo de passagem para a independência financeira.
“O Promove é uma ponte, uma porta de saída. E o mais importante: tem começo, tem meio e tem fim”, continuou ele.
Construção do projeto envolveu várias áreas da prefeitura
A formulação do programa contou com a participação de diferentes setores da administração municipal. Estiveram envolvidos na elaboração as secretarias de Desenvolvimento Econômico e de Assistência Social, além da Controladoria Geral e da Procuradoria Geral do Município.