Alta dos alimentos puxa IPCA-15 acima do esperado e agrava custo de vida
A prévia da inflação de março veio pior do que o esperado e acendeu um alerta sobre o custo de vida no país sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) ficou em 0,44%, acima da projeção do mercado, que estimava 0,29%.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (26) pelo IBGE.
Alimentos disparam e pressionam famílias
O principal fator por trás do resultado foi a forte alta dos alimentos, que subiram 0,88% apenas na primeira quinzena do mês. Itens básicos tiveram aumentos expressivos, impactando diretamente o orçamento das famílias.
Entre as maiores altas estão:
- Açaí: +29,95%
- Feijão-carioca: +19,69%
- Ovo de galinha: +7,54%
- Leite longa vida: +4,46%
- Carnes: +1,45%
Apesar de quedas pontuais, como no café moído (-1,76%) e nas frutas (-1,31%), o conjunto dos alimentos segue pressionando a inflação.
Resultado frustra expectativas
Embora o índice tenha desacelerado em relação a fevereiro (0,84%), o resultado foi significativamente pior do que o esperado pelos analistas. A diferença reforça a percepção de perda de controle sobre preços essenciais.
Transporte sobe com passagens aéreas
O grupo de transportes registrou alta de 0,21%, puxado principalmente pelo aumento de 5,94% nas passagens aéreas, influenciado pelo encarecimento do querosene de aviação.
Por outro lado, combustíveis tiveram leve queda de 0,03%, com recuos no gás veicular (-2,27%), etanol (-0,61%) e gasolina (-0,08%). O diesel, no entanto, subiu 3,77%.
Impacto da guerra ainda não apareceu totalmente
O índice ainda não reflete integralmente os efeitos da recente escalada no Oriente Médio sobre os preços do petróleo, já que considera parte de fevereiro no cálculo. A expectativa é de que o impacto completo seja sentido no IPCA cheio de março, o que pode pressionar ainda mais a inflação.
Alta espalhada pelo país
A inflação avançou em dez das onze regiões pesquisadas. O maior aumento foi registrado em Recife (0,82%), influenciado pela disparada do tomate (46,27%) e da gasolina (1,37%).
Já Curitiba teve o menor resultado (-0,06%), com queda em itens como emplacamento, frutas e combustíveis.
Pressão inflacionária persiste
No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 está em 3,90%, levemente abaixo dos 4,10% anteriores. Ainda assim, o resultado recente indica uma deterioração no curto prazo, especialmente nos alimentos — justamente os itens mais sensíveis para a população.
Sinal de alerta para o governo
A combinação de inflação acima do esperado e alta expressiva nos alimentos reforça o desafio do governo em conter a pressão sobre o custo de vida, em um momento de crescente insatisfação popular.