Editorial avalia que dívida das famílias freia consumo, pressiona orçamento e pode influenciar eleições de 2026
O avanço expressivo do endividamento das famílias brasileiras surge como um dos principais entraves econômicos e políticos enfrentados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato. A avaliação é de um editorial publicado neste domingo (8) pelo jornal Estadão, que aponta impactos diretos sobre o consumo, a percepção da economia e o comportamento do eleitorado às vésperas do pleito de 2026.
Passados três anos desde o início do atual governo, o jornal destaca que o nível elevado de dívidas compromete o orçamento doméstico e dificulta a sensação de melhora econômica, mesmo diante de indicadores macroeconômicos positivos. Nesse cenário, a insatisfação tende a crescer.
Dívida elevada afeta humor do eleitor
Segundo o editorial, o endividamento funciona como um fator de desgaste político. O texto afirma que “eleitores endividados tendem a ser mais críticos e menos tolerantes com governos no poder”, especialmente quando o crescimento econômico não se reflete em alívio prático no cotidiano das famílias.
Dados do Banco Central reforçam esse diagnóstico. O comprometimento das famílias com dívidas alcançou 49,8% da renda anual, índice próximo ao recorde histórico observado em 2022. A estatística inclui financiamentos imobiliários, empréstimos consignados, uso do cartão de crédito e crédito pessoal, indicando que a pressão financeira é ampla e persistente.
O jornal observa ainda que, “com juros elevados e prestações crescentes, a sensação de aperto financeiro persiste mesmo entre quem voltou a trabalhar”, o que enfraquece a percepção de recuperação econômica.
Herança econômica perde força como discurso
Outro ponto enfatizado pelo Estadão é o esgotamento da narrativa política baseada exclusivamente na herança deixada por governos anteriores. Após três anos de mandato, o editorial argumenta que a responsabilidade pela condução da economia passa a ser atribuída majoritariamente às escolhas da gestão atual.
Nesse sentido, o texto destaca que “atribuir problemas estruturais apenas ao passado perde eficácia quando o eleitor avalia sua própria experiência econômica”. Pesquisas de opinião citadas no artigo mostram que o custo de vida e o endividamento seguem entre as maiores preocupações da população, influenciando diretamente a avaliação do governo.
Transferência de renda tem efeito limitado
O editorial também chama atenção para as limitações de políticas focadas apenas na transferência de renda. Com uma parcela significativa do orçamento familiar comprometida com dívidas, parte desses recursos acaba sendo destinada ao pagamento de prestações, reduzindo o impacto positivo dessas medidas sobre o consumo e o bem-estar.
À medida que o calendário eleitoral avança, o texto conclui que a economia tende a ocupar posição central no debate público. “A decisão do voto passa, cada vez mais, pela experiência cotidiana do eleitor, e não apenas por indicadores agregados”, ressalta o editorial, apontando que enfrentar o endividamento das famílias será um dos maiores desafios do governo Lula em 2026.