Nota sobre contrato milionário detalha atuação em governança, integridade e políticas previdenciárias
O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à advogada Viviane Barci, afirmou ter atuado na revisão de aspectos éticos, de compliance e governança do Banco Master, instituição que foi liquidada após investigações apontarem o que é descrito como a maior fraude financeira da história do Brasil.
A manifestação ocorreu em meio à repercussão de um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o escritório e o banco controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob suspeita de participação em crimes financeiros inicialmente estimados em cerca de R$ 12 bilhões.
Na nota divulgada, o escritório ressaltou que não atuou na defesa do Banco Master em processos judiciais no Supremo Tribunal Federal (STF).
Revisão de código de ética e conduta
Segundo o comunicado, uma equipe jurídica da banca foi responsável por emitir pareceres legais voltados à revisão de normas internas do banco.
Entre os documentos analisados estaria o Código de Ética e Conduta da instituição. A atuação teria incluído também a avaliação de procedimentos ligados a integridade corporativa e à organização interna da instituição financeira.
O escritório afirma que o trabalho incluiu análises sobre ética empresarial, governança e compliance, além de orientações relacionadas a políticas internas da instituição.
Avaliação de política de captação previdenciária
Na explicação apresentada, a banca jurídica também afirmou ter revisado a política de captação de recursos no setor previdenciário.
Esse ponto é considerado relevante porque operações ligadas à captação de recursos para regimes próprios da Previdência Social de estados e municípios estão no centro de investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Mesmo com a atuação mencionada pelo escritório, as investigações continuaram avançando e resultaram em novas operações policiais relacionadas a essas transações.
Investigações derivadas da Operação Compliance Zero
Parte das apurações que envolvem o Banco Master está ligada à Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025.
Esse foi o mesmo período em que o contrato entre o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados e o banco foi encerrado. A rescisão ocorreu após a primeira prisão de Daniel Vorcaro, no contexto das investigações sobre o esquema financeiro.
As autoridades apuram possíveis irregularidades em operações que teriam movimentado bilhões de reais.
Pareceres jurídicos e reuniões de trabalho
Na nota divulgada, o escritório detalhou a dimensão da atuação realizada durante o contrato.
Segundo o comunicado, 15 advogados participaram dos trabalhos, produzindo 36 pareceres jurídicos e realizando 94 reuniões de trabalho ao longo do período de prestação de serviços.
Parte dessa equipe teria sido responsável por revisar políticas e procedimentos da área de compliance, com o objetivo de adequar as normas internas do banco às exigências da Corregedoria Geral da União (CGU).
Processos de certificação e treinamento interno
O escritório também afirmou ter desenvolvido processos voltados à certificação de ética e governança corporativa.
Entre as atividades mencionadas estão o mapeamento de processos internos, análise de documentos, identificação de oportunidades de melhoria e revisão de políticas institucionais.
De acordo com o comunicado, a equipe jurídica também participou da elaboração e revisão de normas internas, além de conduzir treinamentos voltados ao público-alvo dentro da instituição.
Essas atividades teriam incluído a revisão do Código de Ética e Conduta, políticas de integridade, estruturação do departamento de compliance e apoio à alta administração do banco.
Nota de Esclarecimento
O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados esclarece que foi contratado, no período entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, pelo cliente Banco Master, para o qual realizou ampla consultoria e atuação jurídica, por meio de uma equipe composta por 15 (quinze) advogados. Para a realização dos serviços, também contratou outros três escritórios especializados em consultoria, que ficaram sob sua coordenação.
As duas equipes jurídicas responsáveis pela consultoria e atuação jurídicas, entre o início do contrato, em 2024, e a liquidação extrajudicial do banco, em novembro de 2025, com o consequente encerramento contratual, realizaram:
I. 94 (noventa e quatro) reuniões de trabalho, sendo:
I.1) 79 (setenta e nove) reuniõespresenciais na sede do Banco Master, todas com duração aproximada de 3 (três) horas, entre o banco, por meio de suas superintendências de Compliance e Corporativa e gerência de Compliance, e a equipe jurídica do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, para análise de documentos, discussão dos problemas jurídicos e desenvolvimento do objeto do contrato;
I.2) 13 (treze) reuniões com a presidência da instituição e a equipe jurídica, sendo 2 (duas) presenciais na sede do escritório e 11 por videoconferência, com duração aproximada de 2 (duas) horas;
I.3) 2 (duas) reuniões por videoconferência entre o jurídico do Banco Master e a equipe jurídica do escritório Barci de Moraes, com duração aproximada de 2 (duas) horas.
I. A atuação de uma das equipes jurídicas, juntamente com os consultores contratados, englobou a elaboração de Opiniões Legais nos casos solicitados pelo Departamento de Compliance; Revisão da Política de Captação para o Regime Próprio da Previdência Social – RPPS; Revisão do Programa de Compliance & PLDFT para a obtenção do Selo Pro-Ética, implicando em: Revisão da Estrutura do Departamento de Compliance; Revisão do Código de Ética e Conduta; Elaboração das Políticas necessárias – Política de relacionamento com Poder Público; Política de licitações e contratos; Política de contato com concorrentes; Política de conflito de interesses; Política de Partes Relacionadas, entre outras; Revisão das demais políticas e procedimentos da área de Compliance para adequação ao exigido pela Corregedoria Geral da União – CGU.
II. Foram produzidos 36 (trinta e seis) pareceres e opiniões legais acerca de uma ampla gama de temas, como aspectos previdenciários, contratuais, negociais, trabalhistas, regulatórios, de compliance, proteção de dados e crédito, entre outros.
III. Elaboração e apresentação de processos para certificação de ética e governança, com mapeamento das atividades, levantamento de documentação-base, análise das oportunidades, elaboração e revisão e treinamentos do público-alvo sobre as novas políticas, a partir da revisão do Código de Ética e Conduta, políticas de integridade, estruturação do departamento de compliance e apoio à alta administração.
IV. Elaboração e revisão do Manual de Gestão e Captação de Recursos do RPPS, Política de Relacionamento com o Poder Público, Política de treinamento, capacitação e certificação continuada, Política de PLDFT, Política de Risco Operacional, Política de Sucessão de Administradores, Política de Transação com Partes Relacionadas, Política de Canais de Denúncia e Investigações, Política de Gestão de BNDU, Política de fusões e aquisições, Política de Gestão de Consequências, Política de investimentos pessoais, Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática, Política de Suitability, Política de Comunicação, Política de Saúde e Segurança no Trabalho, Manual de Contratação de Parceiros, Manual de Procedimentos Conheça seu Parceiro – KYP, Manual de Procedimentos Conheça seu Prestador de Serviço Terceirizado.
V. A equipe jurídica ajudou a implementar o Novo Código de Ética e Conduta do banco, com apresentação presencial às Superintendências, e realizou consultoria sobre temas do mercado financeiro, como questionário AMBIMA, revisão de formulários de Due diligence; a elaboração de modelos de relatório regulatório sobre remuneração; preenchimento de autoavaliação do Pacto Brasil (25 de setembro e 09 de outubro de 2025), entre outros.
VI. Outra equipe do escritório Barci de Moraes, juntamente com os consultores, atuou, principalmente, na área penal e administrativa, na análise consultiva e estratégica de inquéritos policiais, ações penais, inquérito civis, ações civis públicas e ações de interesse ou que pudessem produzir reflexos na atuação do Banco Master e de seus dirigentes, vários deles sigilosos, bem como na atuação contenciosa específica em ação penal, cujo ajuizamento ocorreu em 17/10/2024, e inquérito policial federal específico, cuja habilitação se deu em 8/4/2024.
O escritório esclarece ainda que nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal).
O Barci de Moraes Sociedade de Advogados tem uma trajetória de quase duas décadas prestando serviços altamente qualificados para grandes clientes, unindo visão jurídica e abordagem estratégica.
O triste é a perda de credibilidade. Até mesmo o compliance fica comprometido, pois parece que as regras do mais simples compliance não foi seguida pelo banco. O escritório também perde muito da credibilidade.
Tudo ligado só xerifao cheira a merda…