Ex-assessor volta ao Complexo Médico Penal após mudança inesperada no Paraná
A Polícia Penal do Paraná transferiu o ex-assessor da Presidência Filipe Martins para o Complexo Médico Penal, na Região Metropolitana de Curitiba, sem comunicação prévia à defesa ou aos familiares. A corporação confirmou a movimentação nesta quarta-feira (7). A transferência ocorreu entre a noite de segunda-feira (5) e a madrugada de terça-feira (6).
A mudança representa o retorno de Martins à mesma unidade onde ele já havia permanecido por cerca de seis meses em 2024.
Prisão preventiva por ordem do STF
Filipe Martins está preso preventivamente desde 2 de janeiro, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A acusação é de que ele teria violado medidas cautelares ao supostamente acessar a rede social LinkedIn.
Até a transferência, Martins estava custodiado na Cadeia Pública Hildebrando de Souza, unidade localizada próxima à residência de seus familiares, no interior do Paraná.
Defesa diz que não foi avisada
O advogado Ricardo Scheiffer afirmou que tomou conhecimento da transferência de forma casual, ao tentar agendar uma visita ao cliente.
“Ninguém nos avisou”, declarou. A esposa de Martins, Anelise Hauagge, também não recebeu qualquer notificação oficial sobre a mudança de unidade prisional.
Polícia Penal não explica motivo
Em nota, a Polícia Penal do Paraná informou que transferências e movimentações fazem parte da rotina administrativa do sistema prisional. Segundo o órgão, essas ações visam garantir a segurança dos detentos, dos servidores e das unidades, além de facilitar o gerenciamento da execução penal.
A corporação, no entanto, não esclareceu o motivo específico da transferência de Filipe Martins. No CMP, ele está custodiado em cela separada, por razões de segurança, e já recebeu visita do advogado após ser localizado.
Decisão que levou à nova prisão
Em 27 de dezembro de 2025, Alexandre de Moraes havia concedido prisão domiciliar a Filipe Martins, com uso de tornozeleira eletrônica e proibição de acesso a redes sociais, direta ou indiretamente.
Dois dias depois, em 29 de dezembro, o STF recebeu uma denúncia informando que Martins teria acessado o LinkedIn para visualizar perfis de terceiros. No mesmo dia, Moraes notificou a defesa e concedeu 24 horas para esclarecimentos.
Os advogados negaram a acusação e afirmaram que Martins não possuía acesso a nenhuma conta de rede social após a imposição das cautelares. Mesmo assim, Moraes concluiu que houve descumprimento das medidas e, na manhã de 2 de janeiro de 2026, determinou a prisão preventiva, cumprida pela Polícia Federal em Ponta Grossa.
Defesa apresenta registros da Microsoft
A defesa sustenta que a conta atribuída a Filipe Martins permanece inativa desde abril de 2023 e apresentou registros da Microsoft indicando ausência de qualquer acesso após a imposição das medidas cautelares.
Questionados pelo ministro, os advogados explicaram que passaram a administrar as contas do ex-assessor desde sua prisão em fevereiro de 2024. Segundo a defesa, um advogado contratado nos Estados Unidos acessou a plataforma naquele período apenas para levantamento de informações jurídicas, sem postagens ou interações.
Ainda assim, Moraes rejeitou a justificativa, ressaltando que a proibição imposta abrangia o uso direto ou indireto das plataformas digitais e decidiu manter a prisão preventiva.