Cimed capta R$ 450 milhões em empréstimos para distribuir dividendos e quitar dívidas Cimed capta R$ 450 milhões em empréstimos para distribuir dividendos e quitar dívidas

Gigante farmacêutica tenta captar R$ 450 milhões para evitar colapso financeiro

Farmacêutica recorre ao mercado financeiro após fluxo de caixa negativo

A Cimed precisou buscar R$ 450 milhões no mercado financeiro para viabilizar o pagamento de R$ 427 milhões em aos sócios, numa operação conhecida como ‘’ – quando empresas contraem para remunerar acionistas.

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A brasileira encerrou o período com negativo de R$ 55,5 milhões, forçando a captação de recursos externos através de empréstimos, financiamentos e debêntures para sustentar os pagamentos aos proprietários.

Distribuição supera lucro em mais de 100%

O volume distribuído aos sócios representou mais do que o dobro do lucro líquido consolidado de R$ 196,7 milhões registrado pela companhia. A manobra financeira permitiu à empresa se antecipar às mudanças na tributação federal que passarão a incidir sobre distribuição de lucros.

Embora a receita líquida tenha crescido 12,5% e alcançado R$ 3,067 bilhões, a rentabilidade foi comprometida por decisões operacionais internas que impactaram o desempenho financeiro.

Fatores que pressionaram o caixa da companhia

A implementação de um novo sistema de gestão provocou interrupções no time comercial durante o início do ano, afetando as operações da Cimed. Paralelamente, os gastos com propaganda e marketing dispararam 41,5%, atingindo R$ 182,8 milhões.

Outros elementos que consumiram recursos da farmacêutica incluíram:

  • Aumento dos estoques, que absorveram R$ 232,3 milhões do caixa
  • Despesas financeiras elevadas decorrentes dos novos empréstimos contraídos
  • Prejuízo de R$ 15,3 milhões em joint venture no segmento de produtos para bebês

Estratégia tributária motiva operação

A mudança na legislação tributária criou uma janela de oportunidade para a distribuição antecipada. Lucros distribuídos a partir de 2026 estarão sujeitos ao Imposto de Renda, enquanto valores pagos até o final de 2025 mantêm a isenção fiscal.

A operação permite ainda uma arbitragem fiscal: a empresa deduz os juros dos empréstimos de sua base tributável, enquanto os beneficiários recebem os recursos sem incidência de impostos. Com a captação, a dívida bruta da companhia alcançou R$ 1,8 bilhão.

Apesar de legal, especialistas do mercado financeiro alertam que operações de ‘leveraged dividend’ elevam significativamente o risco financeiro das empresas, especialmente quando realizadas em cenários de caixa negativo.


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