Ex Ministro Da Justiça E Segurança Pública, Ricardo Lewandowski Ex Ministro Da Justiça E Segurança Pública, Ricardo Lewandowski

Governo tira o corpo fora e deixa Lewandowski sozinho em caso de contrato

Vínculo do escritório ligado ao ex-ministro veio à tona após nomeação para a Justiça

Novas informações divulgadas nesta semana indicam que o escritório de advocacia ligado ao ex-ministro da Justiça manteve um contrato de consultoria com o Banco Master por quase dois anos, inclusive durante o período em que ele já ocupava o comando do Ministério da Justiça e no atual federal.

O acordo foi firmado em 28 de agosto de 2023 e previa o pagamento mensal de R$ 250 mil ao escritório, com objeto descrito como “prestação de serviços de consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico”.

Pagamentos seguiram durante exercício do cargo

De acordo com registros contratuais, os repasses financeiros continuaram até setembro de 2025. Nesse intervalo, Lewandowski já exercia funções como ministro da Justiça havia cerca de 21 meses.

Ao longo de toda a vigência do contrato, o escritório ligado à família do ex-ministro recebeu aproximadamente R$ 6,5 milhões brutos. Desse total, cerca de R$ 5,25 milhões teriam sido pagos após a posse de Lewandowski no ministério.

Planalto diz que não tinha conhecimento prévio

Diante da repercussão do caso, auxiliares do presidente Luiz Inácio da Silva afirmaram que o governo não tinha conhecimento prévio da existência do contrato no momento da nomeação de Lewandowski para o Ministério da Justiça.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, o episódio vem sendo minimizado. Interlocutores sustentam que não houve comunicação formal sobre o vínculo contratual na ocasião da escolha do ex-ministro para chefiar a pasta.

Segundo essa versão, não teria havido conflito de interesses, sob o argumento de que o contrato teria sido encerrado antes da posse de Lewandowski — ponto que é contestado pelas informações contratuais reveladas posteriormente.

Nota de Lewandowski e saída do escritório

Por meio de nota, Ricardo Lewandowski confirmou que prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master após sua saída do Tribunal Federal. Ele afirmou que, ao ser convidado para assumir o Ministério da Justiça, deixou o escritório de advocacia e suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A manifestação, no entanto, não detalhou o período exato do contrato, limitando-se a reconhecer a prestação de serviços à instituição financeira antes da entrada no governo.

Indicação política e continuidade dos pagamentos

Apurações indicam que a contratação do escritório pelo Banco Master pode ter sido articulada a partir de uma indicação política do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Após a saída formal de Lewandowski da sociedade do escritório, registrada em 17 de janeiro de 2024, a administração da banca passou a ser conduzida por seus filhos, Enrique de Abreu Lewandowski e Yara de Abreu Lewandowski. Eles teriam continuado a receber os pagamentos mensais até o encerramento do contrato.

Caso segue sob apuração

O episódio voltou ao centro do debate público em meio às investigações que envolvem o Banco Master e à análise de condutas de integrantes da instituição pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal.

As revelações levantaram questionamentos sobre a interface entre o exercício de funções públicas e relações contratuais privadas. Até o momento, contudo, as autoridades competentes não divulgaram conclusões formais sobre eventuais irregularidades relacionadas ao contrato ou sobre a atuação de Lewandowski enquanto ocupava cargo público.


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