Registros indicam intenso acesso de executivos durante período de investigações e intervenção nas instituições
Executivos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo sócios de instituições como Banco Master, Pleno e Will Bank, registraram ao menos 73 acessos a prédios do Banco Central do Brasil entre 2020 e 2025. Os dados foram obtidos pelo portal Metrópoles via Lei de Acesso à Informação.
Visitas cresceram durante apurações
Segundo o levantamento, o fluxo de visitas aumentou no mesmo período em que as instituições passaram a ser alvo de investigações e medidas como liquidação por suspeitas de irregularidades contábeis e crimes financeiros.
Vorcaro lidera a lista, com 31 registros de entrada. A frequência se intensificou após fevereiro de 2024, quando a Polícia Federal iniciou a Operação Compliance Zero. Em 2025, ele chegou a comparecer semanalmente à autarquia.
Atualmente, o banqueiro está preso na sede da PF em Brasília e negocia um acordo de colaboração premiada.
Reuniões incluíram alta cúpula do BC
A análise das agendas indica que encontros em Brasília concentraram temas mais estratégicos. Vorcaro e Augusto Lima estiveram juntos em pelo menos oito ocasiões no último ano.
Três dessas reuniões contaram com a presença do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, com justificativa genérica de tratar de “assuntos institucionais”.
Encontro antes da prisão levanta questionamentos
Um dos registros mais relevantes ocorreu em 1º de outubro de 2025, cerca de um mês e meio antes da primeira prisão de Vorcaro. Na ocasião, ele se reuniu com Belline Santana, então responsável pela supervisão bancária.
Santana passou a ser investigado pela Polícia Federal sob suspeita de fornecer orientações informais ao banqueiro, o que levantou dúvidas sobre a atuação do órgão regulador.
Outros executivos também mantiveram agenda frequente
Além de Vorcaro, outros nomes aparecem com presença constante no Banco Central:
- Walter Piana, com dez visitas
- Giovanni Piana
- Maurício Antonio Quadrado
- Reinaldo Hossepian Salles Lima
Quadrado, por exemplo, teve uma tentativa de aquisição do Letsbank barrada pelo Banco Central devido a histórico de irregularidades.
Número real pode ser maior
O levantamento considera apenas entradas físicas nos prédios do Banco Central. Reuniões virtuais não foram contabilizadas, o que indica que o volume total de interações pode ser superior.
Investigação apura possível influência
A Polícia Federal investiga se a proximidade entre os executivos e integrantes do Banco Central contribuiu para ocultar problemas financeiros ou facilitar práticas irregulares nas instituições.