Jorge Messias Jorge Messias

Oposição amplia críticas a Jorge Messias por parecer da AGU sobre aborto na ADPF 1141

Indicação ao STF reacende disputa política e posicionamento jurídico da AGU vira munição parlamentar

A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma nova frente de desgaste entre o governo e oposicionistas. Parlamentares contrários ao nome indicado pelo presidente Luiz Inácio da Silva (PT) passaram a usar um parecer da AGU sobre aborto para questionar a coerência e a aptidão de Messias para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso.

O primeiro a reacender o tema foi o senador (União Brasil-PR), que, nesta segunda-feira (24), criticou nas redes sociais o posicionamento da AGU apresentado na ADPF 1141 — ação movida pelo contra resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). Para Moro, o parecer demonstra contradição entre a postura pública de Messias e o entendimento jurídico defendido pelo órgão.

Ou se é a favor da vida ou se é a favor da morte (…) como alguém que se diz contra o aborto pode ser a favor de sua realização (…) em gravidez avançada? Sim, a AGU de Lula foi a favor do aborto tardio em ação proposta pelo PSOL”, escreveu o senador.

Reações de deputados reforçam pressão

O deputado Maurício Marcon (Podemos-RS) ecoou o discurso, afirmando que o parecer equivaleria a defender um procedimento extremo em gestação avançada, ampliando o tom das críticas. O líder do PL na Câmara, (RJ), também se manifestou e disse ter o documento em mãos, prometendo divulgá-lo publicamente.

O que diz o parecer da AGU contestado pela oposição

A manifestação assinada por Messias foi elaborada no âmbito da ADPF 1141, que contesta a norma do CFM que proíbe médicos de utilizarem a assistolia fetal — método aplicado exclusivamente nos casos previstos de aborto legal e permitido pela legislação brasileira — em gestações acima de 22 semanas, quando há possibilidade de viabilidade fetal.

No parecer, a AGU sustenta que a norma do CFM extrapolaria sua função regulatória e que caberia aos órgãos públicos executar a legislação existente, sem alterar seu alcance.
O documento enfatiza que a posição do órgão é “estritamente jurídica”, não abordando aspectos morais, religiosos ou filosóficos que dividem a sociedade.

Trâmite no STF e atuação de ministros

A ação segue em análise no STF. Ministros indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, André Mendonça e Nunes Marques, têm trabalhado para desacelerar o . Mendonça votou contra uma liminar que suspendia a norma do CFM, enquanto Nunes Marques pediu que o caso fosse transferido do plenário virtual para o julgamento presencial.

Indicação de Messias intensifica o embate político

Com a indicação de Messias ao Supremo, o parecer passou a ser explorado como instrumento de desgaste pela oposição, que tenta transformar a discussão jurídica da AGU em debate político durante o processo de aprovação do indicado. Para aliados do governo, porém, o parecer reflete apenas a função institucional do órgão em disputas constitucionais.


Veja também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *