Investigação dupla chega à mesma conclusão
Em decisão reiterada, a Polícia Federal concluiu novamente que não existem elementos criminais nas acusações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro sobre suposta interferência política na corporação. O resultado foi divulgado neste domingo, 12 de abril.
Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão
Histórico do caso remonta a 2020
O inquérito foi inicialmente aberto em abril de 2020 pelo então ministro Celso de Mello, atendendo solicitação do ex-procurador-geral da República, Augusto Aras. A investigação originou-se das declarações feitas pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro ao deixar o governo, quando alegou ter sofrido pressão de Bolsonaro para alterar o comando da PF, especialmente a substituição do então diretor-geral Marcelo Valeixo.
Durante quase dois anos de trabalho investigativo, a corporação ouviu 18 pessoas, conduziu perícias técnicas, examinou dados e executou quebras de sigilo telemático. O delegado Leopoldo Soares Lacerda, responsável pelo relatório inicial, determinou que não havia elementos mínimos indicando existência de crime, seja por parte de Bolsonaro ou de Moro.
Depoimento de Valeixo esclarece processo
Marcelo Valeixo, que dirigia a PF em 2019, prestou depoimento no inquérito sobre a suposta interferência. Em sua declaração, afirmou que as investigações conduzidas por Alexandre de Moraes não transitavam pelo comando da corporação, eliminando assim qualquer possibilidade de Bolsonaro interferir nas apurações.
Primeira conclusão e pedido de arquivamento
A conclusão inicial nesse sentido foi apresentada em março de 2022, quando a PF encaminhou relatório final ao Supremo Tribunal Federal declarando ausência de elementos configuradores de crime. Em setembro de 2022, a Procuradoria-Geral da República solicitou o arquivamento do inquérito, argumentando que as condutas analisadas não caracterizavam crime.
Reabertura determinada por Alexandre de Moraes
Em outubro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes do STF, que assumiu o caso após a aposentadoria de Celso de Mello, ordenou a reabertura da investigação. A decisão atendeu pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que solicitou novas diligências investigativas.
Relatório complementar mantém posição
Após nova análise completa das provas reunidas, a PF manteve sua conclusão sobre a ausência de elementos justificadores de imputação penal. O delegado Carlos Henrique Pinheiro de Melo, da Diretoria de Inteligência Policial, assinou o relatório complementar confirmando que as diligências realizadas durante os fatos investigados não revelaram informações capazes de sustentar acusações criminais.