Erro de digitação confunde dados sobre sepultamento do colaborador de Daniel Vorcaro
Um erro de digitação no sistema da Prefeitura de Belo Horizonte gerou uma inconsistência nos registros sobre o sepultamento de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário“, braço direito do banqueiro Daniel Vorcaro.
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O sistema municipal que controla os locais de enterro da capital mineira indicava que o “faz-tudo” do banqueiro havia sido sepultado em 8 de fevereiro, aproximadamente 30 dias antes da data oficial registrada para sua morte.
Cronologia dos fatos
A Polícia Federal prendeu Sicário no dia 6 de março de 2026. Na mesma data, ele tentou cometer suicídio enquanto estava na carceragem da corporação em Belo Horizonte, sendo imediatamente encaminhado ao Hospital João XXIII.
Conforme informações da defesa, o falecimento ocorreu em decorrência da ausência de oxigenação cerebral, caracterizando morte encefálica. O corpo foi sepultado no Cemitério do Bonfim, considerado um dos principais da capital mineira.
Irregularidades na documentação
A certidão de óbito foi lavrada no Cartório do 1º Subdistrito de Belo Horizonte. O documento, emitido 24 horas após o falecimento, não detalha o motivo da morte, constando apenas que a causa está “aguardando exames”.
Especialistas em cartório consultados de forma reservada consideram esta situação atípica. Eles explicam que tal procedimento pode ocorrer quando familiares desejam acelerar o processo de sepultamento, mesmo com pendências nos exames que comprovariam a causa mortis.
Em casos de suicídio, a certidão costuma especificar “lesões autoinfligidas”. No episódio do Sicário, segundo a PF, a morte teria resultado da tentativa de autoextermínio na prisão, seguida de internação hospitalar.
Esclarecimentos oficiais
A assessoria de imprensa da prefeitura emitiu nota reconhecendo o equívoco. A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica identificou um “erro de digitação” no sistema, procedendo à correção da data de enterro de Luiz Phillipi.
“A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica informa que a divergência no sistema Sinec ocorreu por erro de digitação no lançamento do dado. A informação já está sendo corrigida”, declarou a administração municipal.
Investigação sob sigilo
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que supervisiona as investigações do caso Master, indeferiu o pedido da CPI do Crime Organizado do Senado para ter acesso aos dados sobre a morte do Sicário.
Em sua resposta à comissão parlamentar, Mendonça justificou que as apurações continuam em curso e que o compartilhamento das informações só seria viável após a conclusão das diligências.
“Em relação a ambos os fatos, remanescem diligências instrutórias pendentes, estando ainda em curso as respectivas investigações, resta inviabilizado, no presente momento, o compartilhamento dos elementos informativos que lhes são correlatos, sem prejuízo de que, em momento ulterior, com o exaurimento das medidas instrutórias ainda em andamento, seja possível promover a reanálise da solicitação de suas excelências”, afirmou Mendonça.