PF e PGR aprofundam investigação sobre empresa ligada ao caso do Banco Master
As apurações conduzidas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República no inquérito que envolve o Banco Master avançaram para a análise de operações financeiras atribuídas à Maridt Participações, empresa associada a familiares do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.
O foco das autoridades está em atividades consideradas pouco transparentes da Maridt, especialmente no período em que a empresa mantinha participação societária no Tayayá Resort, empreendimento localizado em Ribeirão Claro, no interior do Paraná.
Maridt manteve participação relevante no resort até 2025
Segundo informações divulgadas pela coluna Lauro Jardim, do jornal O Globo, a Maridt Participações permaneceu como sócia do Tayayá Resort até o ano de 2025. A empresa detinha aproximadamente um terço do capital do empreendimento turístico.
A sociedade do resort reunia nomes ligados ao entorno familiar do ministro do STF. A Maridt está formalmente registrada em nome de José Carlos Dias Toffoli, padre, e de José Eugênio Dias Toffoli, engenheiro — ambos irmãos de Dias Toffoli. Também figurava entre os sócios o pastor Fabiano Zettel, cunhado e ex-assessor de Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.
A instituição financeira foi acusada de fraude e acabou submetida a processo de liquidação determinado pelo Banco Central.
Autoridades investigam contratos e fluxo de pagamentos
Um dos principais eixos da investigação diz respeito à real natureza das atividades desempenhadas pela Maridt Participações. De acordo com pessoas envolvidas no inquérito, há suspeitas de que a empresa tenha atuado como prestadora de serviços de consultoria, além de manter contratos mensais com escritórios de advocacia.
Esses acordos teriam gerado pagamentos recorrentes, e o objetivo da apuração é rastrear o destino final dos valores recebidos pela empresa, identificando eventuais irregularidades ou conexões indevidas com o caso do Banco Master.
Primo do ministro é apontado como peça-chave na apuração
Outro ponto considerado sensível pelas autoridades envolve Mario Umberto Degani, conhecido como Beto, primo de Dias Toffoli e fundador do Tayayá Resort. Investigadores avaliam que sua atuação é central para esclarecer aspectos ainda pouco claros da estrutura do negócio.
A atenção se volta especialmente para o fato de o ministro frequentar o resort mesmo após mudanças na composição societária. Para pessoas próximas ao caso, esse detalhe pode ajudar a compreender melhor a dinâmica de controle e influência sobre o empreendimento.
Advogado ligado ao Banco Master atuou para a Maridt
Documentos analisados pela PF e pela PGR revelaram mais uma conexão entre o Banco Master e a Maridt Participações. Uma ata societária contém a assinatura do advogado Guilherme Lippi, sócio do escritório Warde Advogados, que também integrou a equipe de defesa de Daniel Vorcaro.
Em março de 2023, Lippi prestou serviços jurídicos diretamente para José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli. Na documentação, ele aparece como advogado da Maridt, empresa utilizada pelos irmãos do ministro para a administração das ações do Tayayá Resort.
O empreendimento é frequentado por Dias Toffoli e, conforme reportagem do site Metrópoles, moradores da região afirmam que o ministro seria, na prática, o verdadeiro proprietário do local.
Mudança na diretoria foi registrada em São Paulo
A mesma ata societária também formalizou alterações na diretoria da Maridt Participações. Igor Luiz Pires Toffoli, filho de José Eugênio, passou a integrar a administração da empresa, substituindo o tio José Carlos.
A mudança contratual foi oficialmente registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo, informação que passou a compor o conjunto de documentos analisados no curso da investigação.