Ministro Do STF, André Mendonça, Pregou Contra Corrupção, Em Culto Evangélico Ministro Do STF, André Mendonça, Pregou Contra Corrupção, Em Culto Evangélico

Vídeo: André Mendonça prega contra a corrupção e alerta para “tentação do diabo” em culto em São Paulo

Ministro do STF afirma que ninguém nasce corrupto e adverte autoridades sobre sedução do poder

O ministro do Tribunal Federal (STF), , pregou contra a corrupção durante culto realizado na manhã deste domingo (22), na Presbiteriana de Pinheiros, na capital paulista.

Reverendo evangélico, Mendonça afirmou que ninguém nasce corrupto, mas pode ceder gradualmente à “tentação do diabo”. Segundo ele, o desejo legítimo de ocupar cargos públicos pode sucumbir a propostas que afastam a autoridade dos princípios de Deus e do dever de agir pelo bem da população.

Referências bíblicas e testes de integridade

Na pregação, transmitida em vídeo, o ministro citou o fracasso de Adão e Eva diante do fruto proibido e a resistência de Jesus às tentações de Satanás no deserto. Para ele, os relatos bíblicos ilustram situações vividas por cristãos submetidos a testes de integridade que começam de forma sutil e progressiva.

Mendonça mencionou que as tentações atingem necessidades consideradas básicas e legítimas, nos campos financeiro, do poder e espiritual.

Poder político como bênção — e risco

Ao abordar o campo político, o ministro destacou que não há nada mais legítimo do que buscar cargos públicos para servir ao povo em posições como prefeito, governador, deputado, senador, presidente da República ou até ministro do Supremo. Contudo, ressaltou que a autoridade deve ser exercida conforme a vontade de Deus.

“Nada mais legítimo do que isso. Agora o diabo diz: ‘Eu vou te dar tudo isso se prostrados vocês me adorarem’. A quem nós adoramos para estar onde nós estamos? O poder político e institucional é uma bênção de Deus, se guiado por Deus. Mas quando nossos corações se colocam, não segundo os princípios e os valores de Deus, para agir pelo bem do povo, nós estamos nos curvando a tentação do diabo”, afirmou.

Durante cerca de meia hora, Mendonça também citou a primeira provocação do diabo a Jesus — transformar pedra em pão para saciar a própria fome — como exemplo de seduções aparentemente pequenas que podem levar a transgressões sucessivas, até culminar em corrupção motivada por ganho financeiro desonesto.

Ele mencionou ainda a tentação envolvendo o poder político e institucional, quando Satanás promete autoridade e glória para governar o mundo, associando o episódio à vaidade da glória. Também recordou a tentação espiritual em que o diabo propõe que Jesus se lance do pináculo do templo, confiando que anjos o sustentariam.

Contexto político e Operação Compliance Zero

A pregação ocorreu dez dias após Mendonça assumir a relatoria da Operação Compliance Zero, investigação considerada a maior financeira do Brasil. O caso envolve revelações de repasse milionário ao antigo relator, ministro Dias Toffoli, por meio de fundo ligado ao Banco Master, alvo da apuração.

Toffoli deixou a relatoria depois que o STF rejeitou pedido de formulado pela Polícia Federal. O ministro foi citado em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco liquidado, e houve suspeitas de que teria dificultado a investigação.

Conselho a autoridades e aspirantes à vida pública

Durante o culto, Mendonça pediu bênçãos de Deus para quem deseja ingressar na carreira pública ou já atua como juiz, promotor ou delegado, a fim de fazer o bem às pessoas. Ele alertou para a cautela diante de pequenos testes, “bananas” e propostas sutis que podem surgir em “pequenas linhas” e levar o agente público a romper com Deus.

“Lembre-se, Jesus responde em primeiro lugar, nem só de pão vivo. Em segundo lugar, eu só adoro a Deus. Só Ele é o ser a quem eu vou adorar e prestar culto. Há portas que precisam ser fechadas porque não foram abertas por Deus. Meu conselho a você, não busque o poder, não busque os holofotes, busque a Deus. Busque agradar a Deus e tente discernir cheio do Espírito o que é proposta e propósito de Deus e o que é propósito do seu coração, da sua vaidade e do que o diabo colocou no seu coração”, disse.

Ao concluir, Mendonça afirmou que a tentação não se apresenta de forma caricata.

“O diabo não surgirá como um ‘bicho vermelho, feio, chifrudo’ que incentivará a fazer coisas para se dar bem. A proposta vem com sorriso, vem com favores, vem com cenário, vem com olhares sutis que tentam te desviar do foco e da direção de Deus”, declarou.


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