Caso envolvendo Serra e Alckmin em São Paulo reaparece após homenagem a Lula no Rio
A homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval de 2026, promovida pela escola Acadêmicos de Niterói, tem um precedente marcante em São Paulo. Em 2006, a agremiação Leandro de Itaquera levou à avenida um desfile com referências explícitas a nomes do PSDB, o que resultou em questionamentos judiciais movidos pelo PT.
Naquele ano, o cenário político era de disputa presidencial. Lula buscava a reeleição, enquanto Geraldo Alckmin, então governador paulista, foi escolhido candidato do PSDB ao Planalto. O prefeito da capital era José Serra, também tucano.
Bonecos de Serra e Alckmin no sambódromo
No desfile do Grupo Especial paulistano de 2006, o último carro alegórico da Leandro exibiu bonecos representando Serra e Alckmin. Também estavam presentes o símbolo do PSDB e referências à obra de rebaixamento da calha do Rio Tietê.
A escola argumentou que a presença de Serra se justificava por ele ser o prefeito responsável pelas grandes festas da cidade. Já o carnavalesco declarou que a escolha teria sido um “pedido” de Alckmin — versão posteriormente negada pela direção da escola.
Ação judicial e tentativa de CPI
A reação política veio rapidamente. O então vereador Arselino Tatto (PT) entrou com ação judicial para tentar impedir a apresentação do carro alegórico. Ele alegou promoção pessoal com uso de recursos públicos.
A juíza Márcia Cardoso, da 11ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, rejeitou o pedido, permitindo que o desfile fosse mantido.
Naquele ano, a Prefeitura de São Paulo destinou cerca de R$ 300 mil a cada escola do Grupo Especial.
Além da ação judicial, a bancada petista na Câmara Municipal tentou instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o patrocínio da Nossa Caixa à Liga das Escolas de Samba, aprovado em 24 horas. A comissão, porém, não saiu do papel.
Na eleição presidencial de 2006, Alckmin avançou ao segundo turno, mas acabou derrotado por Lula.
A homenagem a Lula no Carnaval de 2026
Duas décadas depois, o Carnaval volta a dialogar diretamente com a política nacional. A Acadêmicos de Niterói apresentará o samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que será levado à avenida no domingo, 15.
O enredo percorre a trajetória de Lula, desde a infância em Pernambuco até a Presidência da República. Ao todo, a escola terá 25 alas e cerca de 3.100 integrantes no desfile.
Para evitar punições diante da proximidade das eleições de 2026, a agremiação orientou seus componentes a não exibirem símbolos partidários.
Em termos de financiamento, a escola terá direito a R$ 1 milhão oriundos do patrocínio da Embratur às escolas do Grupo Especial, por meio da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. O governo do Estado do Rio de Janeiro destinou R$ 40 milhões ao grupo, enquanto a prefeitura repassou R$ 25,8 milhões.