Troca de mensagens integra novo lote de documentos do caso Epstein liberado pelo governo americano
O governo dos Estados Unidos tornou públicos novos arquivos ligados ao caso Jeffrey Epstein, empresário acusado de exploração sexual e tráfico de menores. Entre os materiais divulgados na última sexta-feira (30) há uma troca de e-mails em que Epstein faz comentários ofensivos sobre mulheres do Norte do Brasil.
O novo lote reúne mais de 3 milhões de páginas, além de 180 mil imagens e cerca de 2 mil vídeos, ampliando significativamente o volume de informações já conhecidas sobre o caso.
Mensagem cita passagem pelo Brasil
Em um dos documentos, aparece uma mensagem atribuída a Epstein enviada a um interlocutor não identificado. No texto, o empresário relata deslocamentos pelo Brasil e faz uma afirmação depreciativa. O conteúdo do e-mail é o seguinte:
“Oi
Sem internet no meu hotel. Estou muito feliz por ter conseguido essa garota. Ela vem com a mãe em janeiro.
Vou para João Pessoa e depois para Recife. De volta a Natal. Depois, para São Paulo, onde encontrei uma agente para me levar de volta a Nova York. Eu também queria ir ao Rio, mas não sei se é a hora certa. Quando você volta para Nova York? O Norte do Brasil tem as mulheres mais feias do mundo.”
Os investigadores não informaram quem recebeu a mensagem nem em que contexto exato ela foi enviada.

Divulgação amplia acervo do caso Epstein
Os arquivos fazem parte de uma série de liberações oficiais promovidas pelo governo americano relacionadas às investigações contra Epstein, que manteve relações com empresários, políticos e celebridades de alto escalão ao longo de décadas.
Em 23 de dezembro de 2025, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos já havia tornado público o maior conjunto de documentos do caso até então, com cerca de 30 mil páginas.
A liberação dos materiais só ocorreu após a aprovação de uma nova lei federal que estabeleceu um prazo obrigatório de 30 dias para a divulgação de arquivos sob custódia do Departamento de Justiça.
Contexto do caso
Jeffrey Epstein foi preso em julho de 2019, acusado de abusar sexualmente de mais de 250 menores de idade e de comandar uma rede internacional de exploração sexual. Um mês depois, foi encontrado morto em sua cela, em um episódio classificado oficialmente como suicídio.
Em novembro de 2025, após ser reconduzido ao cargo, o presidente Donald Trump manifestou apoio à divulgação integral dos arquivos relacionados a Epstein.
Trump chegou a ser citado pelo próprio Epstein em declarações passadas. O empresário afirmou que o então presidente teria “passado horas” em sua casa com uma vítima de abuso e que “sabia” de suas práticas — alegações que sempre foram negadas por Trump.