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Gasolina e energia elétrica puxam inflação de janeiro, aponta IBGE

Reajuste do ICMS, tarifas de transporte e conta de luz explicam principais movimentos do IPCA

O aumento do ICMS sobre a gasolina, em vigor desde 1º de janeiro, teve efeito direto no bolso do consumidor e foi um dos principais fatores de pressão sobre a inflação do mês. A avaliação consta na divulgação do IBGE, responsável pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Dentro do grupo Transportes, além da gasolina mais cara, o ônibus urbano registrou alta de 5,14%, refletindo reajustes tarifários adotados em várias capitais do país. Em sentido oposto, a queda nos preços do transporte por aplicativo e das passagens aéreas ajudou a conter uma pressão ainda maior sobre o grupo.

Habitação e Vestuário aliviam o índice

Na outra extremidade do IPCA, o grupo Habitação apresentou recuo de 0,11%. O principal responsável por esse resultado foi a energia elétrica residencial, que teve o maior impacto negativo individual sobre o índice no mês, contribuindo para aliviar a inflação geral.

O Vestuário também colaborou para a desaceleração, com queda de 0,25%, reforçando o movimento de compensação entre os diferentes grupos de consumo.

Peso elevado amplia impacto de variações

Segundo Fernando Gonçalves, gasolina e energia elétrica têm participação expressiva na composição do IPCA, o que amplifica seus efeitos sobre o resultado final. A gasolina responde por 5,07% do índice, enquanto a energia elétrica residencial representa 4,16%.

De acordo com ele, variações nesses itens, mesmo que pontuais, tendem a influenciar de forma relevante o comportamento mensal da inflação.

Outros grupos também pressionaram

Além dos transportes, outros segmentos contribuíram para a alta do índice em janeiro. O grupo Comunicação avançou 0,82%, impulsionado pelo aumento nos preços de aparelhos telefônicos e por reajustes em planos de TV por assinatura e serviços combinados de telefonia e internet.

e cuidados pessoais teve alta de 0,70%, com destaque para os aumentos em artigos de higiene pessoal e planos de saúde.

Alimentação desacelera, mas com contrastes

O grupo Alimentação e bebidas mostrou desaceleração, passando de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro. A alimentação no domicílio variou apenas 0,10%, influenciada principalmente pelas quedas nos preços do leite longa vida e do ovo de galinha.

Essas reduções, no entanto, não impediram altas expressivas em itens como tomate e carnes, que continuaram pressionando parte do orçamento das famílias.

Diferenças regionais

Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, Rio Branco (AC) apresentou a maior variação mensal, com alta de 0,81%. No extremo oposto, Belém (PA) registrou o menor avanço, de 0,16%, resultado impactado pela redução da conta de luz e das passagens aéreas.

INPC e meta de inflação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor, que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos, avançou 0,39% em janeiro e acumula alta de 4,30% em 12 meses.

A meta oficial de inflação do é de 3%, com teto de tolerância de 4,5%, conforme definido pelo Conselho Monetário Nacional. O resultado anualizado permanece dentro da banda, mas segue próximo do limite superior.

No atual governo, a inflação ficou acima do intervalo permitido em 22 dos 37 meses entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025, indicando um cenário de atenção constante para a política econômica.


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