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Jato usado por Toffoli na final da Libertadores pousou perto de resort ligado ao ministro, aponta jornal

Voo privado, diárias de segurança e negócios familiares colocam resort Tayayá no centro do caso Banco Master

Uma aeronave registrada em nome de uma empresa do empresário Luiz Osvaldo Pastore realizou voos entre Ourinhos (SP) e nos meses de março e agosto do ano passado, segundo levantamento do jornal O Globo. As datas coincidem com períodos em que agentes de segurança do Judiciário acompanharam um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) na região de Ribeirão Claro, no norte do Paraná.

Nas mesmas ocasiões, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) pagou de segurança para a permanência de servidores na cidade, localizada a cerca de 40 quilômetros de Ourinhos, onde fica o aeroporto utilizado.

Resort Tayayá entra no foco

O resort Tayayá, situado às margens de uma represa em Ribeirão Claro, passou a concentrar atenção devido à atuação do ministro no caso do Banco Master, instituição liquidada pelo do em novembro de 2025.

Toffoli é relator do processo que envolve diretamente o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do banco investigado. O resort também esteve ligado a negócios envolvendo familiares do ministro e pessoas próximas ao núcleo do caso.

Negócios familiares e ligação com investigados

Reportagens da Folha de S.Paulo e de O Estado de S. Paulo apontaram que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, está envolvido em fundos administrados pela Reag, empresa investigada e posteriormente liquidada por fraudes relacionadas ao Banco Master.

Por meio de um desses fundos, Zettel adquiriu, em 2021, parte da participação dos irmãos de Toffoli no resort, avaliada à época em R$ 6,6 milhões. A empresa Maridt, pertencente aos irmãos do ministro, passou a ter o fundo ligado a Zettel como sócio principal, e um dos irmãos de Toffoli administrava o empreendimento naquele período.

Presença recorrente de seguranças

Documentos analisados pelo O Globo indicam que servidores do Judiciário responsáveis pela segurança de ministros permaneceram em Ribeirão Claro por 128 dias desde 2022.

Em dezembro, o colunista Lauro Jardim revelou que Toffoli viajou no jatinho de Pastore para Lima, no Peru, acompanhado do advogado Augusto de Arruda Botelho, que atua na defesa de Luiz Antônio Bull, investigado no caso Banco Master.

Cruzamento de datas e voos

O cruzamento das informações mostra que, em 7 de março de 2025, às 11h30, a aeronave de Pastore decolou de Ourinhos para Brasília, período em que agentes de segurança estiveram em Ribeirão Claro entre 2 e 6 de março.

Já em 1º de agosto, o voo ocorreu no sentido inverso, de Brasília para Ourinhos, enquanto diárias de segurança eram pagas para permanência de servidores na cidade entre 1º e 4 de agosto.

Lauro Jardim também noticiou que Toffoli utilizou o mesmo jatinho no retorno de um evento em Roma, na Itália, em novembro de 2025.

Justificativas apresentadas

Na ocasião, Luiz Pastore afirmou que “Toffoli não cobra nenhum tipo de cachê” e que as despesas de passagem e hospedagem são pagas pelos organizadores dos eventos, sem uso de recursos públicos. O empresário declarou ainda que o ministro é seu “amigo pessoal” e negou qualquer conflito de interesses.

Em nota, o STF afirmou que a estrutura de segurança dos ministros existe para garantir autonomia e imparcialidade, em razão de ameaças recorrentes dirigidas aos integrantes da Corte.

Nesta quinta-feira (22), o jornal Metrópoles divulgou um vídeo que mostra Toffoli recebendo Luiz Pastore e o banqueiro André Esteves no resort Tayayá.


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