Lula afirma ter cobrado explicações do filho após citação na CPI do INSS

Presidente diz que orientou Lulinha a se defender e declarou não admitir irregularidades

O presidente Luiz Inácio da Silva afirmou nesta quinta-feira (5) que cobrou explicações do filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, após ele ser citado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. A declaração foi feita em entrevista ao portal UOL.

Segundo Lula, a conversa ocorreu assim que o nome do filho veio a público. “Quando saiu o nome do meu filho, eu chamei ele [sic] aqui, e falo isso com todo mundo, olhei no olho dele e disse: só você sabe a verdade, se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa”, afirmou o presidente. “Se você não tiver, se defenda, porque é assim que eu trato as coisas, com muita seriedade.”

Tentativa de convocação foi rejeitada pela comissão

Em dezembro, o presidente da , o senador Carlos Viana, declarou que o colegiado pretendia ouvir Lulinha. A intenção era esclarecer um suposto lobby em favor do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Apesar da intenção, a comissão acabou rejeitando o requerimento de convocação. Na ocasião, parlamentares alegaram que não haviam recebido provas suficientes que confirmassem o relato e que seriam necessárias mais informações para aprofundar as apurações.

Relato envolve pagamento milionário, segundo testemunha

De acordo com Carlos Viana, uma testemunha afirmou que Lulinha teria recebido R$ 25 milhões para atuar em apoio a licitações relacionadas à venda de canabidiol ao .

A informação teria sido repassada à por Edson Claro, ex-funcionário do Careca do INSS. A defesa do empresário, no entanto, afirmou que não tem conhecimento dos fatos relatados.

Ministério da Saúde nega compras e desdobramentos

Em nota oficial, o Ministério da informou que todas as reuniões com a empresa ligada ao Careca do INSS constam em agenda pública e que não houve desdobramentos. A pasta destacou ainda que não existe oferta do insumo no SUS e que nenhuma compra de canabidiol foi realizada pelo ministério.

Procurado, Lulinha não se manifestou até o momento.

Registros de agendas e ligações políticas

Apesar das negativas, há registros de entrada do Careca do INSS no Ministério da Saúde em 2024 e 2025, quando ele se apresentou como CEO da World Cannabis, empresa interessada em negócios no setor de canabidiol.

Em janeiro deste ano, o empresário teve agenda com Swedenberger do Nascimento Barbosa, então secretário-executivo da pasta. Swedenberger tem ligações com o PT e atualmente atua no gabinete pessoal do presidente Lula.

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