Designer feminista processa Erika Hilton por calúnia após deputada chamá-la de criminosa
A designer gráfica e militante feminista Isabella Alves Cêpa entrou com uma queixa-crime contra a deputada federal Erika Hilton (PSol) por calúnia e injúria. A ação judicial foi motivada após a parlamentar ter se referido à militante como “criminosa”, “fracassada” e fazer comparações com integrantes do regime nazista.
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Origem do conflito
O desentendimento entre as duas teve início em 2020, quando Isabella Cêpa, que na época atuava como influenciadora digital, teceu críticas ao PSol. Em suas declarações, ela expressou decepção com São Paulo por considerar que “a mulher mais votada nas eleições para vereadora” daquele ano “era um homem”.
Processo judicial anterior
Em resposta às críticas de Isabella, Erika Hilton iniciou um processo por transfobia na Justiça Federal e apresentou uma reclamação no Supremo Tribunal Federal. No entanto, o inquérito foi arquivado pela 7ª Vara Federal de São Paulo em agosto de 2025, e a reclamação foi considerada improcedente pelo STF em setembro do mesmo ano.
Declarações polêmicas em entrevista
Durante participação no programa “20 minutos”, do canal Opera Mundi no YouTube, em março de 2026, a deputada voltou a atacar Isabella. “Essa menina é uma criminosa, porque o Supremo Tribunal Federal já tem a sua decisão acerca do que é a transfobia”, afirmou Hilton.
A parlamentar ainda fez comparações controversas: “A Ku Klux Klan acreditava que negros eram inferiores. Hitler tinha uma crença de que judeus eram inferiores. Isso não pode servir de instrumento para suas relações pessoais”.
Argumentos da defesa
Na denúncia apresentada, Isabella argumenta que as declarações de Erika Hilton não estavam relacionadas ao exercício do mandato parlamentar, mas sim constituíam uma retaliação pessoal. “A querelada não estava exercendo sua função de deputada ao rotular a querelante como ‘criminosa'”, sustenta a militante.
Asilo político na Europa
Em 2025, Isabella Cêpa recebeu asilo político de um país europeu, cujo governo interpretou as ações judiciais de Erika Hilton como perseguição política. A designer relatou ter sofrido ameaças no Brasil, incluindo mensagens com dados pessoais de familiares e ameaças de morte e estupro.
O processo de asilo foi conduzido pela Agência da União Europeia para o Asilo (EUAA) e durou pouco mais de um mês. Por questões de confidencialidade, Isabella não pode revelar qual país europeu a acolheu.