Operação Duas Rosas revela código para negociar suborno
Conversas interceptadas durante a Operação Duas Rosas trouxeram à tona diálogos comprometedores envolvendo o ex-deputado Uldurico Júnior e Joneuma Silva Neres, ex-diretora do presídio de Eunápolis. Nos áudios, ambos fazem referência a Geddel usando o termo “chefe”.
A ex-diretora, que firmou acordo de delação premiada, admitiu ter facilitado a fuga de 16 detentos em dezembro de 2024. Durante as negociações, os envolvidos utilizavam a palavra “rosas” como código para se referir ao dinheiro da transação.
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Entrar no grupo Uldurico Júnior foi capturado pela Polícia Federal na Praia do Forte, na Bahia, acusado de articular o pagamento de R$ 2 milhões para executar o plano de fuga.
Partilha do dinheiro e cobrança por pagamento
De acordo com as mensagens analisadas pelos promotores, Uldurico teria indicado que metade do valor seria destinada a Geddel Vieira Lima. Diante dessas evidências, o MP-BA abriu um Procedimento Investigatório Criminal para confirmar se o ex-ministro realmente foi o beneficiário dessa divisão.
Os documentos da investigação mostram que Joneuma Neres concedia privilégios irregulares aos presos, incluindo acesso a eletrodomésticos, alimentação diferenciada e circulação livre nas dependências do presídio. Uldurico frequentava a unidade prisional sem registro oficial para encontros reservados com “Dadá”.
Um mês antes da fuga, o ex-deputado recebeu R$ 200 mil em espécie, transportados dentro de uma caixa de sapatos, como adiantamento do acordo. O restante do pagamento foi feito através de depósitos bancários e transferências Pix para pessoas ligadas ao esquema.
Após a concretização da fuga, Uldurico pressionou a ex-diretora pelo pagamento do valor restante, alegando estar sendo cobrado diretamente por Geddel. A delatora apresentou prints de conversas que demonstram o nervosismo do ex-parlamentar com o atraso na quitação.
Histórico criminal do ex-ministro
Esta não é a primeira vez que Geddel Vieira Lima se vê envolvido em escândalos de corrupção. Em 2017, durante a Operação Tesouro Perdido, a Polícia Federal descobriu R$ 51 milhões em dinheiro físico em um apartamento na capital baiana.
O imóvel era alugado pelo político, que alegou utilizá-lo para “guardar documentos”. O episódio resultou em condenação por lavagem de dinheiro, estabelecendo um precedente que agora ganha novos contornos com as atuais investigações.
O caso atual representa mais um capítulo na trajetória controversa do ex-ministro, desta vez envolvendo diretamente a facilitação de atividades criminosas e o comprometimento do sistema prisional baiano.